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sábado, 26 de dezembro de 2015

Guerra do Paraguai e Bagé: 150 anos(1864-2014) CAPÍTULO VI

Cláudio Antunes Boucinha[ Licenciado em História (UFSM). Mestre em História do Brasil (PUCRS)].

“Não…”, ela respondeu. “É só a vida… A vida e o ar que se respira”.[ “A Alma e o Coração da Baleia”. Volta Ao Mundo Em 52 histórias. Neil Philip. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1998].

Voluntários da Pátria


A ideia de “Voluntários da Pátria” estava mais de acordo com os primeiros momentos da guerra.
MENDES jr & MARANHÃO (1983), analisando a guerra, especialmente os Voluntários da Pátria, notava a diferença de “natureza” entre  os primeiros batalhões de “Voluntários”  e os posteriores:

Assim que foi invadido o Mato Grosso por Solano Lópes, vários setores da opinião pública se sentiram indignados  e ofendidos  no seu patriotismo. Setores  da elite política, como muitos jovens  da Faculdades de Direito, resolveram  se oferecer como voluntários, para combater  a “barbárie”. Mas, se os primeiros batalhões de “Voluntários da Pátria” eram foram principalmente desses jovens, ambiciosos pelo prestígio da opção patriótica, a maioria dos demais contingentes  era de natureza muito distinta.
A maioria  da população brasileira  não tinha o menor  interesse pelos acontecimentos de uma guerra que não decidiu, que não dizia respeito a seus desejos, e pela qual, como dizia Taunay, nutria verdadeiro ‘indiferentismo’[ TAUNAY, A. E. Cartas da Campanha de Mato Grosso (1865-1866). Rio de Janeiro: Perfecta, 1944]. Nos anos  de 1866 a 1868, generalizou-se a prática  por parte das autoridades de apreender indivíduos para servir no conflito.
O Jornal “Diabo Coxo”, de São Paulo, oferecia uma carta branca de recrutador a quem conseguisse descobrir  um meio espontâneo de apreender ‘voluntários’, para o serviço patriótico . [Em meados de 1866, Agostini publica um outro periódico do gênero com os mesmos companheiros redatores do Diabo Coxo, intitulado O Cabrião, 1866-1867. O título e o personagem Pipelet estavam sempre presentes em quase todos exemplares litografados. Conduziam os leitores a cabrionar de uma maneira lúdica e crítica os costumes paulistas, as festas de entrudo, às referências sempre irônicas à Guerra do Paraguai, o recrutamento arbitrário dos “voluntários da Pátria”, aos políticos do Império, a corrupção, etc. Ambos os personagens, o Cabrião e o Pipelet, são influências claras da literatura francesa, particularmente do romance de Eugène Sue, Mistérios de Paris. Obra que, aliás, foi traduzida e adaptada para muitos países, conforme alude Robert Moses Pechman. (Robert Moses Pechman, em seu livro Cidades estritamente vigiadas: o detetive e o urbanista, refere-se à influência da obra de Sue em diversos países. No Brasil, teve sua disseminação pelos jornais da corte em forma de romance-folhetim e depois por livros. Pechman afirma que “em setembro de 1844, Os Mistérios de Paris começam aparecer no jornal e, logo depois, sob a forma de livro, menos de um ano depois Eugène Sue dar por encerrada sua grande trama sobre as desgraças da classe trabalhadora de Paris. Depois desse aparecimento do folhetim dos folhetins, ele não parou mais de ser reproduzido (ao longo de todo o século e pelo século seguinte) e imitado. Em 1847, foram os Mistérios do Brasil; em 1851; família Morel (adaptação de Os Mistérios de Paris); em 1852, Mistérios del Prata; em 1861, Os Mistérios de Roça; em 1876, Os Mistérios de Recife: 1882, Os Mistérios da Tijuca; e, em 1922, Os Mistérios do Rio. p. 313; Vide, também,  o capítulo O mundo como folhetim: na selva das cidades, pp. 227-302". Brás Ciro Gallotta. Humor nos periódicos paulistanos: O Diabo Coxo (1864-1865) e o Cabrião (1866-1867) [Trabalho apresentado ao GT 1 – História do Jornalismo, do V Congresso Nacional de história da mídia]. [Professor doutor em história social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Tem experiência na área de História do Brasil, com ênfase em história da imprensa e da caricatura. Trabalhou na reorganização da Hemeroteca Júlio de Mesquita. Foi professor de graduação e pós-graduação do Centro Universitário Senac e de graduação na Universidade Ibirapuera. E-mail: brasciro@yahoo.com.br ]. Professor Doutor em História Social. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC - SP . http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1/5o-encontro-2007-1/Humor%20nos%20periodicos%20paulistanos%20O%20Diabo%20Coxo%20-1864-1865-%20e%20o%20Cabriao%20-1866.pdf ].
O governador paulista  Tavares Bastos foi uma das autoridades provinciais que não teve quaisquer escrúpulos  no recrutamento  forçado: chegou a convidar do povo  para ouvir música  no Largo do Palácio, cercando em seguida a multidão, com seus soldados, e obrigando todos os homens válidos a sentar praça a seguir para o Paraguai. A maioria do jovens, aterrorizados, evitava sair de casa, fazendo-o só nas festas religiosas e, mesmo assim, disfarçados de mulher[ MORSE, Richard. Formação  Histórica de São Paulo. São Paulo: Difusão Europeia, 1970].
Nas vilas do interior, a simples notícia da proximidade  de um grupo  de recrutadores causava  o esvaziamento quase completo do lugar, pois o pessoal fugia para o mato.
Além disso,  o recrutamento  era usado como intimidação política: os conservadores, tendo chegado ao poder executivo após a queda do gabinete Zacarias de Góis em 1868 (por pressão do Duque de Caxias - …), realizaram  eleições: o manifesto  do Centro Liberal de 1869[ Manifesto  do Centro Liberal - 31 de março de 1869. http://brasilindependente.weebly.com/uploads/1/7/7/1/17711783/manifesto_do_centro_liberal_-_1869.pdf ] denuncia  as violências  e arbitrariedades que o situacionismo  praticou contra os liberais, incluindo-se entre elas o recrutamento forçado de oposicionistas  para a guerra[ Os preâmbulos dos ‘ukases’ russos de 1864, que esbulharam a propriedade dos polacos, falavam muito do desejo e necessidade da pacificação moral: e na verdade não há prova mais irresistível da moderação, justiça e respeito aos direitos de todos, do que a prisão arbitrária com o luxo asiático do tronco, das algemas, das cordas, e da cruz; o recrutamento não obstante as isenções legais; o cerco e varejo das casas do cidadão, de noite, com violação dos aposentos recônditos da família, atentados ao pudor e assassinato dos infelizes destinados à prisão e recrutamento”. V. o manifesto in Bonavides, Paulo & Vieira, R. A. A. Textos Políticos  da História do Brasil. pp. 510 e ss. chrome-extension://ecnphlgnajanjnkcmbpancdjoidceilk/http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/81922/volume1.pdf?sequence=1 . chrome-extension://ecnphlgnajanjnkcmbpancdjoidceilk/http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/81924/Volume4.pdf?sequence=4 ; https://pt.scribd.com/doc/175703909/Textos-Politicos-da-Historia-do-Brasil-Vol-2-Imperio-Segundo-Reinado-1840-1889#scribd ]”. [   MENDES jr, Antônio & MARANHÃO, Ricardo. Brasil História: Texto e Consulta. Volume 3: República Velha. 3ª edição. São Paulo: Brasiliense, 1983, p. 58].

ALENCAR & CARPI & RIBEIRO (1984) ressaltava dois momentos da guerra: No primeiro momento, o comportamento da elite e os Voluntários da Pátria; no momento seguinte, o recrutamento forçado.

A organização  das tropas  aliadas deu-se  com o recrutamento  de voluntários. No Brasil, o recrutamento  dos ‘Voluntários da Pátria’ é um capítulo curioso da nossa história. Os primeiros batalhões que partiram para o Paraguai eram formados pelos jovens patriotas, saídos da elite, e em sua maioria estudantes  das faculdades de Direito, desejosos  de prestígio.[ MENDES jr, Antônio & MARANHÃO, Ricardo. Brasil História: Texto e Consulta. Volume 3: República Velha. 3ª edição. São Paulo: Brasiliense, 1983, p. 58].

Contudo, a medida que a guerra prosseguia, a maioria da população brasileira  continuava indiferente[ MENDES jr, Antônio & MARANHÃO, Ricardo. Brasil História: Texto e Consulta. Volume 3: República Velha. 3ª edição. São Paulo: Brasiliense, 1983, p. 58] e pouco mobilizada  em relação ao conflito. O governo encontrando sérias dificuldades  para conseguir  voluntários, acabou  lançando mão até  do recrutamento forçado. O governador  de São Paulo, por exemplo, convidou  o povo da capital  para ouvir música  no Largo do Palácio, cercou  o local e fez com que seus guardas  capturassem todos os homens  considerados aptos, obrigando-os  a se alistar  e seguir  para a guerra”. [ ALENCAR, F. & CARPI, L. & RIBEIRO, M. V. História da Sociedade Brasileira. 2ª edição. :Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1984, p. 158].


MOCELLIN (1987) preferiu ressaltar os aspectos relacionados ao recrutamento forçado; produto, talvez, de um certo “indiferentismo” da época, retratado por Taunay; mas será que esse sentimento, essa sensação, era generalizada  em todo o país? Até que ponto esse “indiferentismo”caracterizaria o “espírito da época”; “zeitgeist”[ "Zeitgeist – Wikipédia, a enciclopédia livre." 2006. 30 Jul. 2014 <http://pt.wikipedia.org/wiki/Zeitgeist> :

Segundo o Visconde  de Taunay, a maior parte da população brasileira via com ‘indiferentismo’ a guerra. Entre os anos de 1866 e 1868, as autoridades  recrutavam  à força os novos combatentes. Richard Morse [ "Richard McGee Morse - Wikipedia, the free encyclopedia." 2006. 12 Jun. 2014 <http://en.wikipedia.org/wiki/Richard_McGee_Morse>; "Richard Morse — IEA - USP." 2013. 12 Jun. 2014 <http://www.iea.usp.br/pesquisa/professores/ex-professores-visitantes/ex-professores-visitantes-internacionais/richard-morse>; Richard McGee Morse . Formação histórica de São Paulo: (de comunidade à metrópole). São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1970, p. 196. O livro Formação Histórica de São Paulo (de comunidade à metrópole), de Richard Morse, publicado a primeira vez em 1954 (Comissão do IV Centenário) e republicado em 1970 (Difel), é hoje considerado um clássico dos estudos urbanos que buscam na cultura uma chave explicativa. [Título do simpósio: Leituras, diálogos e conflitos: as relações no espaço construído e imaginado entre Brasil, América e Europa  Coordenação: Profa. Dra. Silvana Rubino .Título do trabalho: "São Paulo comunidade, São Paulo metrópole: a cidade de Richard Morse" . Autor: Ana Claudia Veiga de Castro . Titulação: Mestre em Estruturas Ambientais e Urbanas pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, doutoranda na mesma instituição. Instituição: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. O texto faz parte da pesquisa de doutorado desenvolvida na FAUUSP sob orientação da Profa. Dra. Ana Lanna e co-orientação do Prof. Dr. Adrián Gorelik (Universidad Nacional de Quilmes), no âmbito do Projeto Temático Fapesp São Paulo: os estrangeiros e a construção da cidade.]
MORSE, Richard. “São Paulo: The Early Years”, M. A., Graduate School of Arts and Sciences of Columbia University, 1947.
______________, “São Paulo Under the Empire (1822-1889)”, Ph.D., Faculty of Political  Science of Columbia University, 1952.  
______________, De comunidade à metrópole: biografia de São Paulo. São Paulo: Comissão  IV Centenário, Serviço de comemorações culturais, 1954.
______________, From community to metropolis. A biography of Sao Paulo. Gainesville:  University of Florida Press, 1958.
______________, Formação histórica de São Paulo: de comunidade à metrópole. São Paulo:  Difel, 1970.


conta que o Presidente da Província  de São Paulo, Tavares Bastos, convidou o povo para ouvir música no Largo do Palácio. Em seguida, os seus soldados cercaram  a multidão  e todos os homens válidos foram obrigados a ir para a guerra. O clima  de terror era tal, que muitos  jovens não saíam de casa e a simples notícia da proximidade de recrutadores os fazia fugir para o mato”. [ MOCELLIN, Renato. A História Crítica da Nação Brasileira. São Paulo: Do Brasil, 1987, p. 141].



VAIFAS & FARIA & FERREIRA & SANTOS (2010), em texto resumido, confuso, embora registrando aspectos importantes, observava as mudanças durante a guerra:

No início da Guerra, para minimizar  o problema, foram criados, por decreto imperial  de 1865, os Voluntários da Pátria - corpo de soldados voluntários criado pelo governo brasileiro. Aos cidadãos alistados era assegurando um soldo e, quando voltassem, terras, emprego público ou pensões.
No início, acreditando que a guerra seria breve, muitos se inscreveram, incluindo libertos (ex-escravos).
Vários senhores libertaram  seus escravos  para que substituíssem eles próprios ou seus parentes convocados. Mas o maior número de ex-escravos que participou da Guerra foi libertado após indenização paga pelo governo aos seus donos.
Com  a Guerra se estendendo por muito mais tempo do que as previsões iniciais, atém mesmo os membros da Guarda Nacional foram obrigados a lutar, subordinados  ao Exército de linha.
Também criminosos, desocupados e pobres foram obrigados  a se alistar como ‘voluntários’.
O esforço de guerra foi imenso, mobilizando entre 150 e 200 mil homens.
Os prêmios prometidos  pelo governo aos voluntários não foram pagos”. [ VAIFAS, Ronaldo & FARIA, Sheila de Castro & FERREIRA, Jorge & SANTOS, Georgina dos. História. Volume 2. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 282].

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Guerra do Paraguai e Bagé: 150 anos(1864-2014) CAPÍTULO V


Cláudio Antunes Boucinha[ Licenciado em História (UFSM). Mestre em História do Brasil (PUCRS)].


“Não…”, ela respondeu. “É só a vida… A vida e o ar que se respira”. [ “A Alma e o Coração da Baleia”. Volta Ao Mundo Em 52 histórias. Neil Philip. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1998].


As Crianças como Soldados


Como compreender o disfarce de crianças paraguaias, durante a guerra? Como imposição dos adultos? Como imposição do Estado? Como imposição da pátria? Um cavalo de troia paraguaio? Instrumento de política de Estado? Desespero? Loucura? André Amaral de Toral (1999) sugeria uma espécie de “circo” armado  pelos paraguaios durante a última fase da guerra:

As crianças paraguaias, que disfarçadas de soldados com barba postiça e rifles de madeira lutaram na última fase da guerra, também foram retratadas. No Museu Histórico de Buenos Aires conservam-se as duas fotografias em formato ‘carte-de-visite’ que mostram corpos lacerados de meninos, ao que tudo indica infantes sobreviventes das batalhas de Lomas Valentinas e Acostañu. Cuarterolo afirma que se trata do único exemplo que sobrevive do uso da imagem como instrumento político durante a guerra do Paraguai [CUARTEROLO, Miguel Angel. Iconografía de Guerra - Fotografías de la Triple Alianza 1865-1870. In Memoria Io. Congreso de Historia de la Fotografia. 23-24 mayo 1992. Florida- Pcia. Buenos Aires, p. 58].
Isso devido ao emprego que foi dado aos retratos, utilizados como prova de que o regime de López não tinha o menor escrúpulo em sacrificar qualquer habitante do Paraguai para se manter no poder (...) Mas a foto mais impressionante do conjunto, e de toda a guerra talvez, é a que se intitula montón de cadáveres paraguayos e que retratou precisamente corpos ressecados de soldados mal cobertos por panos, provavelmente vítimas insepultas dos combates de 24 de maio de 1866. Esta foto e a que mostra as crianças paraguaias sobreviventes dos combates de Lomas Valentinas e Acosta-ñu, de autoria desconhecida, são, sem dúvida, os registros fotográficos mais dramáticos da violência da guerra”.[ André Amaral de Toral. “Entre retratos e cadáveres: a fotografia na Guerra do Paraguai”. Doutor em História Social pela FFLCH – USP. Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 19, nº 38, p. 283-310. 1999.  http://www.scielo.br/pdf/rbh/v19n38/1005.pdf . Artigo recebido em 08/98 e aprovado em 06/99].


André Amaral de Toral (2001), fixando-se no registro iconográfico da guerra, enaltecia o papel da fotografia como propaganda ideológica durante o conflito. Mas a presença de crianças na guerra parecia ter uma dimensão maior no Estado paraguaio e na própria sociedade.

As fotos de crianças e cadáveres paraguaios, mencionadas atrás, e que circularam por intermédio de tiragens de carte-de-visite, também inauguraram a possibilidade de sua utilização como propaganda de guerra. Os registros da Guerra do Paraguai, mesmo aqueles que foram utilizados em propaganda anti-López, iam muito além dos seus fins ideológicos imediatos. Denunciavam a estupidez da guerra. (...) Até a fotografia, com a aparição de retratos divulgando as atrocidades de López, parece tomar partido na guerra. Inaugurava-se, com os retratos das crianças paraguaias esquálidas utilizadas como soldados na última fase da guerra, a utilização da fotografia como arma de propaganda nesta parte da América do Sul”.[  Toral, André Amaral de. Imagens em desordem: a iconografia da Guerra do Paraguai . São Paulo: Humanitas / FFLCH / USP, 2001].

O texto de ANDRÉ AMARAL DE TORAL [ "André Toral – Wikipédia, a enciclopédia livre." 2011. 12 Aug. 2014 <http://pt.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9_Toral>; A participação dos negros escravos na guerra do Paraguai. ANDRÉ AMARAL DE TORAL; Toral, André Amaral de. "A participação dos negros escravos na guerra do Paraguai." Estudos Avançados 9.24 (1995): 287-296; Amaral de Toral, André. "A participação dos negros escravos na Guerra do Paraguai." Intituto de Estudos Avancados N 9 (1995): 24; Toral, AA. "A participação dos negros escravos na guerra do Paraguai." 1995. <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141995000200015>; de Toral, AA. "A participação dos negros escravos na guerra do Paraguai ..." 1995. <http://www.revistas.usp.br/eav/article/view/8880>; "A participacao de negros escravos na Guerra do Paraguai." 2012. 12 Aug. 2014 <http://rafaellapuente.files.wordpress.com/2012/09/a-participacao-de-negros-escravos-na-guerra-do-paraguai.pdf>; "A Participa Dos Negros Escravos Na Guerra Do Paraguay." 2014. 12 Aug. 2014 <http://pt.scribd.com/doc/201722690/A-Participa-Dos-Negros-Escravos-Na-Guerra-Do-Paraguay>.

esclarecia sobre que condições em que as crianças foram para a guerra, especialmente do lado paraguaio. Em primeiro lugar, o conceito de guerra total, muito própria de uma regime totalitário ou coletivista, em que o Estado estava acima do indivíduo, visto a escalada militar entre as crianças de dez anos, e depois, de sete anos[afirmação de Milda Rivarola Espinoza]. Por outro lado, não explicava a presença de crianças no caso da Argentina, por exemplo :

Não só a população escrava é recrutada na sua totalidade. Até setembro de 1866 já se recrutara toda a população masculina entre dez e 60 anos (Masterman, apud Rivarola, 1988). A partir daí, o envolvimento de toda a população masculina para a guerra é total e, em meados de 1867, praticamente já não existem exceções para o recrutamento. Velhos, inválidos e doentes são convocados. Crianças de sete anos são convocadas, ainda nesse ano, para o serviço militar (Rivarola, 1988:133 -  George Frederick Masterman (1869), Seven eventful years in Paraguay: Une narrative ... Aires: Imprenta Americana, 1870, 501 p., apud Rivarola, op. cit., 1988. RIVAROLA, Milda. La polemica francesa sobre la guerra grande. Eliseo Reclus: la guerra del Paraguay/Laurent-Cochelet: correspondencia consular. Asunción, Editorial Historica, 1988. http://www.portalguarani.com/1686_milda_rivarola_espinoza/21345_la_polemica_francesa_sobre_la_guerra_grande__por_milda_rivarola.html . “MILDA RIVAROLA ESPINOZA: Nació en Asunción en 1955. Se graduó en Sociología en la Facultad de Sociología de la Universidad Católica “Nuestra Señora de la Asunción” (1978), y en Ingeniería Agronómica en la Facultad de Ingeniería Agronómica de la Universidad Nacional de Asunción (1977). Realizó cursos de postgrado en Sociología en el ISDIBER, Universidad Complutense, Madrid, España. En 1985 obtuvo el D.E.A. de la “Ecole de Hautes Etudes en Sciencies Sociales” de París, siendo en la actualidad[1988?] candidata al doctorado en Historia y Civilización de dicha institución francesa. Se desempeñó como investigadora del Centro Paraguayo de Estudios Sociológicos, del Comité de Iglesias y del Instituto Nacional del Indígena (INDI) y ejerció la docencia en la Universidad Católica de Asunción. Tiene varias publicaciones e informes”. Os menores teriam dez anos de idade . Masterman, 1869, p. 127. Masterman, Jorge Federico.Siete años de aventuras en el Paraguay. Buenos Aires: Imprenta Americana, Calle de San Martin, número 120, 1870. https://archive.org/details/sieteaosdeaven00mast ). O extermínio da população masculina paraguaia é compreendido quando se pensa que a guerra e as convocações só terminariam três anos depois, em 1870”.



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O texto de POLLIANNA MILAN [ http://www.blogempublico.com/wp-content/uploads/2011/04/2004_UTP_Poliana_releaseAssessoria.pdf ], sobre a Guerra do Paraguai, “Crianças intimadas para o Fronte” (2011), resgatava questões fundamentais sobre a barbárie, especialmente sobre a participação de crianças no conflito:

“Crianças intimadas para o fronte”


“Os paraguaios comemoram o Dia das Crianças no próximo dia 16. A data se refere aos recrutas infantis que morreram na batalha de Acosta Ñu”.
“As crianças, no fervor da batalha, apavoradas, se agarravam às pernas dos soldados brasileiros, chorando para que não fossem mortas. E eram degoladas no ato”. A frase é uma recordação de um sobrevivente soldado infantil, recrutado pelo Paraguai, para lutar durante a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870) e está registrada em documento do Ministério da Defesa”.
“Acredita-se que cerca de 3 mil crianças morreram em combates na Guerra do Paraguai. Elas tinham entre 10 e 14 anos e chegaram a constituir cerca de 50% do Exército paraguaio, principalmente no final da guerra, em uma batalha de nome Acosta Ñu. A batalha ocorreu no dia 16 de agosto de 1869 e teve o maior número de baixas no exército. Foi por causa dela que o Paraguai mudou, nos anos 1940, o Dia das Crianças de 13 de maio para 16 de agosto. “O 13 de maio era uma data seguida do Dia da Pátria (14) e do Dia das Mães (15), mas não tinha uma simbologia forte. Quando começa a ditadura militar no Paraguai, se inicia uma proposta de homenagear as crianças que deram o seu próprio sangue pelo país”, afirma a historiadora paraguaia Ana Barreto”[Ana Montserrat Barreto Valinotti?].
A mudança de data marca uma posição nacionalista bastante forte no Paraguai que até hoje divide opiniões. As crianças deixaram de ser vistas como mártires de uma guerra injusta e passaram a ser heroínas. “Antes disso, eram raros os livros didáticos que mostravam figuras de crianças portando uma lança na mão e com o uniforme paraguaio todo rasgado”, explica Ana [Barreto]. Para a historiadora, as crianças não são heroínas, continuam sendo mártires. Para o escritor e pesquisador paraguaio Jorge Rubiani “as crianças, assim como os pais delas e toda a população paraguaia, estiveram simplesmente envolvidas no conflito porque a guerra se desenvolveu em território paraguaio e todo o povo ficou envolvido naquele desastre”. “Se sobreviviam, as crianças eram sequestradas por oficiais brasileiros que as levavam para o Brasil para serem vendidas como escravas”, afirma.

“Uma infância mal definida”
“Hoje[ 2011?] é muito estranho pensar em recrutamento de crianças de 10, 12 anos para o Exército, mas no século 19, durante a Guerra do Paraguai, não havia uma definição exata de onde acabava a infância e começava a juventude. “O marechal [Solano] López entendia que estes jovenzinhos eram homens, por isso decidiu recrutá-los para a guerra”, afirma a historiadora Ana Barreto”.
Não só no Paraguai, mas no Brasil, Estados Unidos e Europa não era tão raro no século 19 ver crianças de 12 anos indo para a guerra. Isso ficou mais marcado no Paraguai porque lá as crianças foram usadas em escala maior e existem descrições horríveis sobre como elas morreram”, explica o historiador Ricardo Salles[ “Na avaliação do historiador Ricardo Salles, autor de Guerra do Paraguai — escravidão e cidadania na formação do Exército (Paz e Terra), a população paraguaia foi, sim, aniquilada, mas não se pode falar em genocídio: — Ainda que tenham ocorrido degolas, fuzilamentos e outras barbaridades, o Brasil não atacou o Paraguai com o objetivo de exterminar a população. Foi uma guerra. E as mortes não podem ser creditadas integralmente ao Brasil. No final, Solano López recrutava qualquer um que tivesse entre 12 e 60 anos. Pessoas morreram de fome porque soldados dos dois lados confiscaram o gado e a colheita”.http://www12.senado.leg.br/jornal/edicoes/2014/12/01/150-anos-depois-guerra-ainda-e-ferida-aberta-no-paraguai ], da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro”.
“História recente”
“Crianças paraguaias de 10 a 13 anos foram recrutadas pelo Exército paraguaio até cerca de 1989 e só recentemente essa política foi extinta. Muitos dos que entraram para o Exército, antes da Batalha de Acosta Ñu, tiveram uma preparação para guerrear bastante peculiar. López havia instaurado, em 1868, o Tribunal Militar que era responsável por executar as pessoas sentenciadas de morte por traição ao governo. “Estas pessoas não morreram fuziladas, mas por meio de lanças que eram lançadas por estas crianças em treinamento”, explica Ana [Barreto]”.[ Mario Maestri não registrou a presença de crianças como partícipes de fuzilamentos, embora apresentasse versão mais elaborada do assunto: “Apesar de algumas propostas extremadas e fantasiosas sobre o número das vítimas dos tribunais de sangue, os condenados e executados – fuzilados, lanceados etc. – ultrapassariam apenas o meio milhar, estimando-se também em talvez uns seiscentos prisioneiros políticos falecidos de causas naturais, devido a enfermidades, maus-tratos etc., como proposto. As vítimas oficialmente condenadas foram sempre do sexo masculino, fora exceções como as de Concepción”. [GODOI. El Fusilamiento del Obispo Palacios [...]. Ob. cit., p. 55. GODOI, Juan Silvano. El fusilamiento del Obispo Palacios y los tribunales de sangre de San Fernando. Documentos históricos. Asunción: El Lector, 1996].  História: Debates e Tendências – v. 13, n. 1, jan./jun. 2013, p. 124-149. Mário Maestri. “Tribunais de Sangue de San Fernando. O Sentido Político-Social do Terror Lopizta”. Doutor em Ciências Históricas pelo Université Catholique de Louvain, Bélgica. Professor Titular da Universidade de Passo Fundo. Recebido em 10/09/2012 Aprovado em 20/01/2013. http://dx.doi.org/10.5335/hdtv.13n.1.3047 , http://www.upf.br/seer/index.php/rhdt/article/download/3047/2206 ].

“Recrutamento”
Inicialmente, Solano López havia decretado um recrutamento em que toda a população masculina deveria servir ao Exército. Só não iriam para a guerra o presidente e os homens do governo civil. “Após o decreto, foi feito um levantamento de quantos homens existiam em cada casa e a idade deles”, diz Ana. Primeiro, o decreto recruta homens entre 18 e 60 anos, mas depois vai baixando a idade para 16, 14, até chegar aos 10 anos.
Não há registros oficiais, segundo os historiadores consultados, de crianças de 6 a 8 anos recrutadas pelo governo, mas é possível que elas tenham ido à guerra para acompanhar os pais. “As famílias não reagiam porque o governo, por meio da imprensa, convence a população de que deveria entregar seus filhos. Além disso, quem se queixava da guerra era preso”, comenta Ana [Barreto]”.
“As mães, insatisfeitas com a guerra e sem querer se comprometer oficialmente, chegaram a vestir seus filhos como se fossem meninas. Já as crianças que foram ao combate teriam usado disfarces como barba, para parecerem mais velhas. “Em um relato de Taunay há a afirmação de que os lanceiros brasileiros baixavam as lanças para atingir as crianças e depois os corpos voavam. Eram crianças pequenas e muitas subnutridas”, afirma o historiador Ricardo Salles, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro”.
“Recrutamento infantil é um problema mundial”
“Infelizmente, o recrutamento de crianças para o Exército, guerrilhas ou milícias é um problema que não ficou no passado. É assim que o professor da Universidade de Brasília Pio Penna Filho, doutor em História das Relações Internacionais, inicia a entrevista. “O problema ficou evidente por causa dos conflitos na África dos anos 90. Temos ainda o caso das Farc na Colômbia e, se quisermos fazer uma análise mais forte e realista, basta olhar para São Paulo e Rio de Janeiro para vermos as crianças envolvidas nas batalhas do tráfico”, afirma”.
“Há casos de crianças envolvidas em guerras na América Central, em conflitos asiáticos e no Oriente Médio. A diferença (com relação à Guerra do Paraguai) é que hoje o recrutamento, em grande parte, não é feito pelo governo e não é em grande escala. “Tenho notícias de meninas que são recrutadas à força em alguns países para servirem, muitas vezes, sexualmente a uma determinada guerrilha. Elas eram tatuadas com o nome da guerrilha como se fossem uma propriedade”, explica Penna[Pio Penna Filho]”.
“Em Uganda, na África, há registros ainda de crianças que, à noite, são colocadas na igreja ou em um hospital para evitar que sejam roubadas de dentro da própria casa. “Mas, quando a situação complica, em muitos países africanos as crianças acabam sendo recrutadas pelo próprio governo”, explica Penna[Pio Penna Filho]”.
“Criação”
“Quando a criança é retirada do berço familiar e levada para combate, ela passa a ver a guerrilha da qual faz parte como a sua família e, depois, segundo Penna[Pio Penna Filho], mudar esta situação é muito complicado. “Elas crescem e são ressocializadas dentro destas guerrilhas e depois não conseguem se desvincular”, diz. Penna[Pio Penna Filho] lembra do caso dos nazistas, que recrutaram crianças na Segunda Guerra, quando já havia o conceito de infância. Elas recebiam medalhas de Hitler após os combates e, quando Hitler se suicidou, a formação ideológica estava tão centrada que milhares de jovens se mataram também”.[ Publicado em 06/08/2011. POLLIANNA MILAN


O texto de Aprígio Vilanova é também precioso na compreensão do problemas das crianças na guerra. No caso, Vilanova utiliza como fonte o artigo de Fábio Pestana Ramos:
“Crianças da guerra”[ aprigiovilanova / 2 de abril de 2013 / Infância Roubada ].

“O governo imperial brasileiro utilizou crianças como soldados na Guerra do Paraguai (1864 a 1870), é o que afirma o professor Fábio Pestana Ramos, no artigo publicado no site Para Entender a história. O estudioso[ “Infância e família no Brasil Império”. Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume jan., Série 24/01, 2011, p.01-09. segunda-feira, 24 de janeiro de 2011.  Fábio Pestana Ramos possui Bacharelado (1997) e Licenciatura Plena em Filosofia (1998) pela Universidade de São Paulo (USP) , Licenciatura Plena em História pelo CEUCLAR (2012), MBA em Gestão de Pessoas (2010) e Doutorado em História Social pela USP (2002). Já atuou como pesquisador da FAPESP e como docente na PUC de Campinas, Fundação Santo André, Faculdades Associadas Campos Sales, Uniban e outras universidades. Atualmente está vinculado como professor titular à UNIMONTE. Colabora com programas de TV, rádio, revistas e jornais. Tem experiência na área de Educação, História, Filosofia e Sociologia; com intensa atividade de pesquisa e passagens por arquivos históricos no Brasil e na Europa. Já recebeu por suas pesquisas uma menção honrosa da USP, o prêmio Jabuti e o prêmio Casa Grande e Senzala. É autor de diversos livros. Membro Fundador de "Para entender a história...", colabora com a publicação desde 13/08/2010. Para saber mais sobre o assunto: GÓES, José Roberto de & FLORENTINO, Manolo. “Crianças escravas, crianças dos escravos” In: DEL PRIORE, Mary (org.). História das crianças no Brasil. São Paulo: contexto, 1999, p.177-191. HAIDAR, Maria de Lourdes Mariotto. O ensino secundário no Império brasileiro. São Paulo, EDUSP, 1972. MAUAD, Ana Maria. “A vida das crianças de elite durante o Império” In: DEL PRIORE, Mary (org.). História das crianças no Brasil. Op. Cit., p.137-176. VENANCIO, Renato Pinto. “Os aprendizes da guerra” DEL PRIORE, Mary (org.). História das crianças no Brasil. Op. Cit., p.84-106].

afirma que nesta época “levas e mais levas de crianças pobres foram jogadas nas ruas do império” isto se deveu as leis que foram paulatinamente promulgadas pelo Império e que criou grande contingente de crianças libertas perambulando pelas ruas. É nesse contexto que o Império recruta estas crianças forçadamente para atuarem na Guerra do Paraguai. Ele afirma que: “Muitos pais tentarem esconder os filhos para evitar que fossem recrutados, ou subornaram os oficiais da policia ou do exército que revistavam as casa em busca de crianças, pois se sabia que servir na guerra era morte certa”. As crianças recrutadas eram pobres e em sua maioria descendentes de escravos e foram para atuar nas mais funções mais perigosas. Ramos destaca: “principalmente no manejo de canhões, onde não tinham nenhuma arma para se defenderem a não ser o canhão manejado”. A iniciativa do Governo Imperial tinha como objetivo ‘limpar’ as ruas das cidades que estavam cheias de crianças abandonadas perambulando, mas para Ramos a iniciativa não resolveu o problema “No entanto, terminada a guerra do Paraguai, as famílias pobres continuaram a ser numerosas e deram conta de rapidamente voltar a povoar as ruas”. Podemos encontrar origens da exploração infantil desde a colonização, mas a utilização de soldados-crianças na Guerra do Paraguai foi um fato inédito na história brasileira.


“Crianças paraguaias”
O Paraguai também utilizou crianças nas suas fileiras, estima-se que cerca de 4 mil crianças paraguaias foram mortas durante o conflito. Veja a iconografia da Guerra do Paraguai produzida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)”. [ Antes do fim . Produto experimental, de caráter didático, da disciplina Webjornalismo, da Universidade Federal de Ouro Preto. Inspirados na profecia Maia de 21 de dezembro de 2012, sobre o fim do mundo, produzimos reportagens sobre o que pode causar o "fim do mundo", como nossas escolhas interferem no futuro e o que podemos fazer para aproveitar melhor a vida e preservar o planeta. Antes do Fim.


Criança paraguaia feita prisioneira presta serviço a oficial brasileiro


Saulo Álvaro de Mello apresentava, pelo lado brasileiro, a presença de crianças na guerra:

No período da Guerra do Paraguai, o presidente de Província de Mato Grosso, preocupado com meninos que ficaram órfãos em virtude da epidemia de bexiga, decidiu enviá-los para o Arsenal. No ofício ao diretor do Arsenal de Guerra de Cuiabá, escreveu:

‘[...] Dos órfãos que, em virtude da comunicação que lhe fiz ontem a V. Mcê. lhe forem remetidos para serem admitidos a Companhia de Menores desse Arsenal, remeterá V. Mcê. Uma relação nominal a proporção que lhe forem apresentados, na qual se declare a idade e a filiação dos mesmos, para ser enviada ao juiz de órfãos para o fim indicado no Art. 4 do Regulamento de 3 de janeiro de 1842. Deverá V. Mcê. Indicar igualmente a robustez de cada um dos menores’”. [  Ofício do presidente de Província de Mato Grosso ao diretor do Arsenal de Guerra. Cuiabá, 5/11/1867. Livro de Registro da correspondência entre o presidente de Província de Mato Grosso e a diretoria do Arsenal de Guerra (1863 -69) APMT 211 fl. 151].

Dois fatores explicam o aumento de inscritos para servir no Arsenal: a epidemia de varíola e a Guerra do Paraguai. Porém, Crudo explica que não é possível saber quantos órfãos foram admitidos no Arsenal. Em 1869, o presidente da Província enviou filhos de escravos para a Marinha. A condição indispensável para a recepção destes, era a sua força física. Sendo robustos teriam condição de permanecer na Companhia dos Aprendizes, pois seriam úteis para o trabalho. Quando o Ministério da Guerra dava o Aviso de inspeção de saúde, muitos meninos eram desligados por serem considerados sem cura dos males de que sofriam. Matilde Araki Crudo, comenta esta circunstância dizendo:

Antes de 1864, há muitos casos de menores que ficam mais tempo no hospital ou em tratamento de saúde que trabalhando nas oficinas. O caso mais notável é o de Policarpo do Nascimento, que até passar para mancebo, foi internado dezenas de vezes, conforme informa os ofícios do diretor do Arsenal de Guerra ao presidente da Província de Mato Grosso (CRUDO, 2005: 96 -  CRUDO, Matilde Araki. Infância, trabalho e educação. Os aprendizes do Arsenal de Guerra de Mato Grosso. (Cuiabá, 1842-1889). São Paulo, UNICAMP, 2005. Tese de Doutorado, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Universidade Estadual de Campinas, 2005)’”. [ RECRUTAMENTO COMPULSÓRIO E TRABALHO EM MATO GROSSO: disciplina, violência, castigos e reações - por Saulo Álvaro de Mello. Revista História em Reflexão: Vol. 4 n. 7 – UFGD - Dourados jan/jun 2010.  Este texto é uma versão modificada do Capítulo III, da Dissertação de Mestrado O ARSENAL DA MARINHA EM MATO GROSSO. Projeto político de defesa nacional e de disciplinarização do trabalho. Do planalto à planície pantaneira (1719-1873), apresentado ao Programa de Pós Graduação em História da UFGD em 2009. Saulo Álvaro de Mello. Mestre em História - UFGD .