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terça-feira, 29 de julho de 2008

Tadeu Mello

Tadeu Mello, diretor de teatro, de Bagé, para a cidade do Rio de Janeiro,para o Forte de Copacabana, para os 18 do Forte.
Conheça: http://www.fortedecopacabana.com/modules/news/article.php?storyid=26

domingo, 27 de julho de 2008

Dom Gílio Felício

"Sem deixar de lembrar dom Gilio Felício, o primeiro bispo negro do Rio Grande do Sul, que nasceu no longínquo interior e tinha tudo para dar errado. Migrou para a periferia da cidade, onde foi recrutado e hoje é bispo de Bagé". Fonte:"Sopa de ervilhas". Crônica do Guido. Guido Kuhn | guidoekuhn@yahoo.com.br . http://www.gazetadosul.com.br/default.php?arquivo=_noticia.php&intIdConteudo=99101&intIdEdicao=1532 . Acessado em: 27 de julho de 2008. Hora: 18:55 h.

sábado, 26 de julho de 2008

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO E DA PEDAGOGIA EM BAGÉ

Cláudio Antunes Boucinha


CAPÍTULO I


EDUCAÇÃO DA JUVENTUDE


Fonte: BAGÉ: INDÚSTRIA, COMÉRCIO, AGROPECUÁRIA, LITERATURA, BIOGRAFIA, SOCIABILIDADE. Revista em Homenagem à XXIII Exposição-Feira de Bagé, Oficializada pela Prefeitura Municipal e Associação Rural. (Organizada por Balduíno Damásio da Silva). Bagé: Typographia Minerva, 1º de janeiro de 1937, pp. 16-17.


Introdução

O texto pretende mostrar um pouco da história da educação em Bagé, especialmente na década de 30, demonstrando a preocupação do Estado Novo nascente com a educação de todos, como uma manifestação de patriotismo. A educação ainda é vista, na época, como instrução e como cultura, ao mesmo tempo.


Contexto Histórico


Luiz Mércio TEIXEIRA, prefeito municipal em 1937, foi baluarte “(...) da Revolução de 30. Em 1932, membro do Diretório Libertador (Partido Libertador, fundado em 1928), ficou ao lado deste, na luta que se feriu no Estado”.

“Candidato à primeira sucessão prefeitual de Bagé na Nova República, a sua vitória nas urnas foi sem precedentes, não se podendo mesmo considerá-lo um eleito no pleito de 17 de novembro de 1935, porque, de fato este foi, antes, uma aclamação popular, levando à suprema governança do município o homem que se fez ídolo de um povo reconhecido!”.

“Empossado em 27 de dezembro, por entre vitories (de vitoriar, verbo transitivo: 01. Proclamar vitorioso; 02. Aplaudir muito, aclamar; de vitória + - ar.) empolgantes da gente de sua cidade, revelou-se, de logo, o administrador seguro, ponderado e previdente”.

“Nesse terreno, a sua obra se tem acentuado principalmente no interesse dispensado à instrução pública, que (...) difundido largamente no município, amparando todas as iniciativas surgidas em prol do nobre fim, (...)”.(BAGÉ, 1937, pp. 12-13).


Educação da Juventude


A Educação como Cultura. Bagé pode orgulhar-se do grande adiantamento que atingiu sua instrução.

Sob qualquer aspecto que focalizemos o movimento cultural de nossa urbe, não podermos deixar de reconhecer que se trata de um problema, se não resolvido pelo menos equacionado e cuja solução se processa dentro de diretrizes seguras e bem orientadas.

Basta compulsarmos o gráfico do movimento escolar para constatarmos sua contínua ascendência de ano para ano.

Suas digressões são facilmente explicáveis e pouco influi na consecução do objetivo final.

Este desenvolvimento se observa, não só quanto à instrução primária, mas ainda quanto à secundária e à artística.

Em todos esses ramos em que se subdivide o movimento cultural de nossa cidade, constatamos os mais lisonjeiros resultados. (BAGÉ, 1937, pp. 12-13).




A Educação como Instrução, a Educação como Direito de Todos. É, porém, a instrução primária, a que tem merecido especial carinho de todos os que direta ou indiretamente labutam nas bases de nossa organização social.

O município de Bagé apresenta uma população em idade escolar de cerca de 12.000 alunos.

Isto é o suficiente para mostrar a complexidade do problema ante os recursos materiais de que dispõe.

As dificuldades a vencer surgem a cada passo.

A cada passo antolham-se (de antolhar, verbo transitivo. Derivado de antojar - de ante+olhar. Antojar, verbo transitivo: 01. Pôr à vista; representar ou figurar na imaginação; 02. Apetecer; do castelhano, antojar, “apetecer”) obstáculos quase intransponíveis.

É o problema de todas as administrações e é o problema que o atual prefeito (Dr. Luiz Mércio TEIXEIRA) está enfrentando e resolvendo com alto patriotismo e grande descortino (substantivo masculino: 01. Ato de descortinar ou avistar; 02. Argúcia, perspicácia; derivado regressivo de descortinar).

O desenvolvimento de seu plano administrativo se manifesta por concretas iniciativas em favor da instrução pública.

Sua ação, não se tem limitado a meia dúzia de parágrafos e artigos destinados a complicar cada vez mais o nosso sistema burocrático, mas se abalançado (Particípio passado de abalançar. Abalançar, verbo transitivo: 01. Pesar com balança; 02. Impelir, arrojar. Verbo reflexo: 1. Atrever-se, arriscar-se, expor-se; 03. Atirar-se, lançar-se; de a-+balança+-ar) a realizações positivas que se condensam numa série de medidas acertadas e que vieram ao encontro dos interesses do ensino público.

A instrução de nosso município é ministrada em cerca de 70 aulas entre públicas e particulares.

Essas aulas acham-se em sua maioria aptas a dar um combate eficiente ao analfabetismo não só pelo seu escolhido corpo docente, como pelo seu aparelhamento de que se acham dotadas. (BAGÉ, 1937, pp. 12-13).




O Tipo de Professor. Quanto aos elementos que integram o magistério, podemos dizer sem discrepância, que são verdadeiros abnegados, treinados na difícil arte de ensinar.

Enfrentam os espinhos de sua árdua missão espalhando no meio de nossa juventude as munificências (feminino plural de munificência. Munificência, substantivo feminino: 01. Qualidade ou ato de munificente; 02. liberalidade; 03; generosidade; 04. Magnanimidade. Do latim munificentia-, “generosidade”.) de seu saber.

São os obreiros que martelam quotidianamente nos alicerces de nossa pátria, plasmando sem desfalecimento os caracteres dos futuros cidadãos da pátria. (BAGÉ, 1937, pp. 12-13).




A Questão do Material Escolar. Entre os fatores que mais de perto afetam os interesses da instrução, influindo em sua eficiência é a questão do material escolar.

É este um problema que tem sido atacado com tenacidade pela atual administração, a qual num esforço digno de nota, já conseguiu em curto espaço de tempo, prover grande número de aulas, que lutavam com dificuldade pela falta ou deficiência dos utensílios escolares, bem como reformar os que se achavam em condições de serem aproveitados.

Esta medida, conjuntamente com a de localização de muitas aulas, concorreu para melhorar as condições escolares de nossos estabelecimentos de ensino. (BAGÉ, 1937, pp. 12-13).




Os Objetivos do Ensino. As aulas receberam um cunho mais prático e mais proveitoso.

Os edifícios, porém, em que funciona a maioria das aulas não foram construídas com esse objetivo.

Daí facilmente se depreende que grande número deles não apresentava os requisitos higiênicos e pedagógicos exigidos.

Era mister adaptá-los ou construir novos prédios que estivessem à altura do nobre fim a que se destinam.

É o que fez e continua fazendo o operoso prefeito da comuna.

Construiu uns e adaptaram outros. (BAGÉ, 1937, pp. 12-13).




Uma Questão Nacional: O Caso de Aceguá. Entre esses, devemos citar, pela importância de que se reveste, aquele que foi construído no Aceguá, 7º Distrito deste município.

Não havia nenhuma aula nessa localidade.

A nossa juventude escolar, à míngua de outros meios, era obrigada a recorrer às escolas uruguaias onde, conjuntamente com as primeiras letras, recebiam os utensílios necessários ao estudo.

Hoje (1937) felizmente já mudou essa situação.

Ergueu-se naquele mesmo local (Aceguá) uma escola perfeitamente equipada, para garantir aos seus alunos uma sólida instrução.

A bandeira nacional já flutua nos dias de festas naquelas paragens e os acordes do hino nacional; cantados pela nossa juventude escolar ecoa nas quebradas daquelas serranias. (BAGÉ, 1937, pp. 12-13).



O Ensino Urbano e Rural. Foi ainda instalada em novo prédio a de Seival. Passou por remodelações o grupo escolar de São Martim.

Montaram-se as aulas de Santa Tecla e das Tunas.

Foram criadas duas aulas na Estação do Rio Negro e cinco no Primeiro Distrito.

Quase todas as aulas urbanas e suburbanas passaram por completa reforma.

É assim que, dentro dos planos traçados pela presente administração, teremos em breve lapsos de tempo, remodelado todas as nossas aulas, de forma a corresponder às altas finalidades da instrução. (BAGÉ, 1937, pp. 12-13).



A Educação Gratuita. Convém ainda notar que o município fornece a grande número de alunos todo o material necessário para a aprendizagem das primeiras letras.

Esta medida contribui vigorosamente para o aumento da matrícula escolar, trazendo para as aulas muitos alunos que de outro modo estariam impossibilitados de adquirir os objetos didáticos necessários ao seu estudo. (BAGÉ, 1937, pp. 12-13).



A Difusão do Ensino Público e o Estado “Patriótico”: Os Comitês Pró-Instrução. É mister que se diga que a instrução pública tem encontrado um forte apoio e um fator de desenvolvimento nos Comitês Pró-Instrução, que praticamente se estão organizando em todos os Distritos rurais.

O primeiro que se fundou foi o de Seival.

Depois vieram o do Rio Negro e os do 3º e 4º Distritos.

Outros estão em organização.

Esses comitês visam alcançar pela propaganda e por uma patriótica e bem orientada ação a difusão do ensino público.

Levando-a todos os recantos do nosso município. (BAGÉ, 1937, pp. 12-13).



A Escola Moderna Como Produto de Filantropia. A par desse trabalho, digno dos melhores encômios (plural de encômio, presente do indicativo de encomiar - 1ª pessoa do singular-, verbo transitivo, tecer o encômio de, louvar, elogiar. De encômio+-ar), temos a salientar o auxílio eficiente das iniciativas particulares, vindo ao encontro das aspirações do município e com ele colaborando na grande obra de difusão da instrução pública.

Entre esses, releva citar o gesto altamente generoso e patriótico do Sr. Rodolfo MÓGLIA, cuja munificência já dotou o município com dois excelentes prédios otimamente construídos e aparelhados com todos os utensílios necessários a uma escola moderna.

O primeiro desses edifícios se acha localizado no próspero povoado de Santa Teresa e favorece uma densa população escolar.

O outro que se acha situado à Rua Flores da Cunha, próximo à Praça da República, foi entregue ao município por intermédio do Rotary Clube.

Em retribuição o governo da comuna, designou a nova escola, com o título de Escola Rotária Dr. Pena. Gestos como estes nobilitam e elevam a quantos o pratiquem.

O Sr. Rodolfo MÓGLIA juntou ao grande número de benemerências prestadas a Bagé pelo seu espírito filantrópico, mais esta que ficará gravada no coração dos bageenses. (BAGÉ, 1937, pp. 12-13).



Regulamento da Educação Primária Municipal e a Participação dos Diretores das Escolas. Não seria possível, outrossim, coordenar o movimento escolar, sem sistematizá-lo dentro de certas normas.

Para isso, se fazia mister elaborar um regulamento que correspondesse às verdadeiras necessidades da instrução.

Com a colaboração de vários diretores de estabelecimentos escolares e depois de consultar os interesses do ensino, foi organizado e aprovado o Regulamento de Educação Primária Municipal, dentro de cujos moldes está sendo orientada a ação escolar. (BAGÉ, 1937, pp. 12-13).



A Escola Secundária e a Escola de Artes. Se nos transportarmos ainda às esferas do ensino secundário e artístico, verificaremos o mesmo ritmo de desenvolvimento.

A nossa cidade está dotada de estabelecimentos de instrução, capazes de honrar os mais cultos meios do país.

Entre os oficiais podemos citar a Escola de Comércio, o Ginásio Municipal Nossa Senhora Auxiliadora, o Ginásio Municipal Espírito Santo, a Escola Complementar, e o Conservatório Municipal de Música.

Entre os autônomos citamos o Colégio Perseverança, o Colégio Independência, o São Luiz, o Instituto de Música Santa Cecília, além de muitos outros estabelecimentos de instrução. Recebem diariamente instrução em nossas escolas cerca de 5.042 alunos. (BAGÉ, 1937, pp. 12-13).




A Defesa da Matrícula Pública. É este, em rápidos traços, o estado atual da instrução em nossa terra.

Do que aí fica registrado podemos aquilatar o que já se fez e o que resta a fazer:

A tarefa não é pequena e chega mesmo a apresentar dificuldades quase insuperáveis.

Aplainando, porém, esses obstáculos, temos a orientação inteligente de nosso edil, cujo espírito prático e empreendedor é a garantia segura de crescente progresso da matrícula pública. (BAGÉ, 1937, pp. 12-13).

terça-feira, 8 de julho de 2008

BAGÉ(1811-1911-2011): RUMO AOS DUZENTOS ANOS - OLHAR SULEAR, CONTEMPLANDO O MUNDO.: A Fabrica de Conservas (línguas) de Mac Cool & Cia. Ltda.

BAGÉ(1811-1911-2011): RUMO AOS DUZENTOS ANOS - OLHAR SULEAR, CONTEMPLANDO O MUNDO.: A Fabrica de Conservas (línguas) de Mac Cool & Cia. Ltda.

A Fabrica de Conservas (línguas) de Mac Cool & Cia. Ltda.

Quinta-feira, Agosto 23, 2007

Entrevistando o Lord Mayor da City of London, sir John Stuttard, e falar com alguém que é sir já é muito divertido, envolvi-me com uma instigante história do nosso Pampa. Meu entrevistado contou-me do parentesco de sua esposa com um antigo dono de uma fábrica de línguas enlatadas em Bagé. Na conversa, pediu que, se eu tivesse informações sobre a origem da marca das línguas, mandasse notícias. Curioso, fui um pouco além e, com meu inglês macarrônico (corrijam meus erros, plis), escrevi o seguinte e-mail a Sir Stuttard (bem abaixo deste post, leia o resumo, em português).

Sir John Stuttard,

I had to call to Bagé to confirm McCawl´s first name. I found out many other things that I didn´t use in newspaper but may be curiosities for your wife´s family.

Your wife´s great grandfather, Charles McCawl, was a well-known man in Bagé. As you told me, he had an industry that canned cattle tongues to export. At that time, there were other brittish an european families operating in the meat area in the south of Rio Grande do Sul. McCawl didn´t speak portuguese well, but was very good in spanish - language that everybody understands in that region.

I talked to a friend of Charles (sun of a very good friend of him) and he told me your wife´s relative was a very tall and strong man. What he liked most was to hunt (specially grouses) and to fish. That man told me Charles had two suns - Alan and Osborne, who were twins. Alan lived in Bagé untill death and fabricated aliminium boats. Osborne is alive and works for Rolls Royce in London, according to that man. Charles had also a daughter, who died, when was young, in an accident envolving a shot in a hunting - a very sad story.

The house where the McCawl lived was big and beautiful, and it still exists in Vila Santa Thereza (district of Bagé). It belongs to HugoVaz Pinto, a businessman, who rents it. Untill some time ago, the place was - I'm sorry to inform - a brothel.

About the origin of the name "Paysandu": it was the name of a great prophet in the guarany indians' religion. After the christians arrived here, the indians began using the name Paysandu to call "Saint Thomas" (from Wikipedia).

Mais tarde, chegou a seguinte resposta do pedido de informações que fiz ao diretor do arquivo municipal de Bagé, mestre em história, Claudio Boucinha, um sujeito muito atencioso que não gosta de Zero Hora.

A Fabrica de Conservas (línguas) de Mac Cool & Cia. Ltda., com instalações modernas, e cujos produtos são exportados totalmente para a Europa.

O GUIA ILUSTRADO COMERCIAL, INDUSTRIAL E PROFISSIONAL DE BAGÉ, publicado em 1937, possuía um conjunto de informações preciosas sobre a história de Bagé, embora com alguns senões. Por exemplo, o GUIA não possuía indicação de página alguma, bem como a autoria dos textos não estava devidamente identificada. No presente trabalho, um desenvolvimento do Município de Bagé, embora com uma série de ressalvas. O GUIA estava assinado pelo Dr. S. de Navasques, em Bagé, setembro de 1937. No original, completava uma planta da cidade de Bagé e seus arrabaldes, organizada e desenhada na gestão do Ilmo. [1] Dr. Luiz Mércio Teixeira, D. D. Prefeito Municipal ( aparecia, na planta da cidade, a assinatura de Francisco Gonçalves Vieira[2] ); e uma planta do Município de Bagé, em que apareciam os oito distritos.



[1] Exmo. (?).

[2] O nome não está legível, parcialmente.

Conforme depoimento de Ilo Mendes Boucinha, engenheiro agrônomo, que conheceu o pai e o filho: A família de Mac Cool, possivelmente, tenha vindo na década de 30 ou até antes. Permaneceu até a década de 60, quando mudou a regulamentação sanitária, que exigiam outras instalações. No caso, a fábrica era uma fabriqueta, de madeira, mas com todos os equipamentos para fazer a língua enlatada. Era exportada para a Inglaterra, visto que, entre outras coisas, era um súdito inglês que fazia a exportação. A casa da Família ficava na mesma localidade, perto da Charqueada Santa Teresa. Depois da década de 60, o filho passou a fabricar barcos, pois tinha equipamento para isso. A língua era temperada e bem feita.

As informações são pequenas, visto o apuro do momento. Um abraço. Claudio Antunes Boucinha.

Após o qual, enviei a seguinte resposta, como contribuição a quem quer que possa querer estudar a história de Bagé.

Olá, Claudio. Obrigado pela atenção. Conversei com o Sr. Nei Carneiro, um amigo do "velho" Charles McCawl, e com o Lord Mayor sir John Stuttard (abaixo a função dele), uma bisneta do inglês. A grafia correta do nome é a referida acima, segundo ambos, com certeza. De acordo com o Stuttard, ele chegou aqui no final do século 19. A marca das línguas enlatadas era Paysandu, conforme relato do Stuttard. A grafia seria "Paysandu", como a cidade uruguaia, conforme o Nei. A partir de agora, as informações são todas do Nei. Charles McCawl era um inglês grande e corpulento. Um sujeito reservado. Se comunicava em esanhol. Suas grandes paixões eram pescar e, principalmente, caçar. Teve dois filhos gêmeos em Bagé: Alan e Osborne (cuja grafia não tenho certeza). Alan ficou na cidade até morrer e tinha uma indústria de barcos de alumínio. Osborne vive na Inglaterra até hoje. Trabalha na Rolls Royce, com motores. Charles ainda teve uma filha, que faleceu em um acidente durante uma caçada. Um tiro acidental disparado pelo próprio pai a teria vitimado, em um episódio trágico, envolvendo a abertura de uma porteira e cães. A casa dos McCawl, grande e bela, ainda existe no distrito de Santa Thereza (com h?). Até pouco tempo atrás, era um bordel.

Um abraço, e, novamente, obrigado. Sebastião Ribeiro.

Seguem as explicações de quem é sir Stuttard.

John Stuttard exerce desde 2006 o cargo de Lord Mayor, uma espécie de prefeito nobre com status de ministro que dirige a City of London, como é chamado o distrito financeiro da capital britânica. O cargo existe desde 1189 e sua função primordial é promover os serviços financeiros da City para empresas e governos de todo o mundo।




Temas

História de Bagé (construção de uma possível cronologia de eventos principais; os diversos cortes epistemológicos; revisão historiográfica nacional e internacional); Geografia (Relevo, hidrografia, clima, flora, fauna, solo, cartografia, populações, curiosidades geográficas); Antropologia (Lendas, etnias, comportamentos, tipos sociais, gaúcho); Economia ( Estrutura fundiária, desenvolvimento econômico regional, em suas várias etapas tecnológicas, complexo agrícola, políticas econômicas, progresso e estagnação, índices de crescimento, dados estatísticos em geral, modos de produção); Sociologia (Grupos socias, por faixa etária, por inserção econômica, movimentos social de origem popular, tais como de origem sindical; Política (a construção da burocracia, do governo, dos partidos políticos, da cidadania, da democracia).

Justificativa

Considerando o fato de que a região da fronteira em que está Bagé constitui-se num contexto cultural sui-generis, especialmente vinculado à imagem do Gaúcho/Gaucho, assim como considerando a necessária reflexão a partir do presente sobre o passado de Bagé, fica estabelecida a justificativa, em dois planos: a) desenvolvimento do turismo regional; b) contribuição para uma crítica da formação social da região onde está Bagé.

Objetivos

Proporcionar um ambiente de conhecimento da história regional, da micro-história, da Memórial Oral, das histórias de vida, da memória fotográfica das etnias, das publicações, da revisão de literatura ou da bibliografia sobre a História de Bagé, bem como efeitos sobre a indústria do turismo na região.

OS FESTEJOS

Introdução
Neste capítulo, pretende-se fazer uma lista de eventos que podem acontecer durante os festejos de 200 anos da cidade de Bagé.
Nesse sentido, é preciso antes discutir qual a concepção que vai sulear, que quer valorizar a visão do hemisfério Sul, dos céus do Cruzeiro do sul - contrário de nortear, que quer valorizar a visão do hemisfério Norte, do céu visto pelos europeus - os acontecimentos futuros, durante os festejos, procurando um ponto de vista, uma das visões que se podem imaginar sobre o acontecerá.
A idéia geral é que possamos contemplar o mundo a partir do local em que nascemos e vivemos. Não uma visão restrita, petrificada, estanque, fanática, ortodoxa, de seita, egoísta, estreita, excessivamente limitada, somente conservadora, narciso, masoquista ou sádica; um pensamento sobre a morte, mas também um pensamento sobre a vida.
Todos os campos do conhecimento humano devem ser contemplados, em todos os seus aspectos, seja no político, ideológico, sociológico, antropológico, filosófico, psicológico, pedagógico, histórico, geográfico, das artes e da cultura em geral.
No entanto, deve-se evitar qualquer tipo de preconceito, discriminação, seja de ordem moral, religioso, de etnia, de gênero, de idade, ou mesmo de cunho político-ideológico.
No entanto, do ponto de vista da democracia, não podem ser toleradas visões que queiram acabar com a própria democracia, o que seria intolerável, visto que atinge um dos pressupostos básicos da vida em sociedade na modernidade.
Nesse sentido, qualquer forma de totalitarismo, anti-semitismo, racismo, machismo ou fundamentalismo, seja de origem política ou religiosa, de qualquer tipo, devem ser enquadrados dentro das leis vigentes no país.
Cidade Isolada, Cultura Isolada?
Como analisar o progresso da cidade de Bagé, ao longo dos anos? De uma cidade cosmopolita, com a presença de grandes eventos de caráter internacional, uma cidade que ansiava em copiar as grandes metrópoles, para uma cidade de costas para o Uruguai, com o olhar em São Paulo, isolada da metade norte do Estado, com poucas estradas de comunicação com o exterior e com o próprio Brasil, com estradas de terra, consolidando uma cultura isolada, peculiar, própria.
Do ponto de vista turístico, uma cultura peculiar para mostrar para o mundo.
Alguns Temas
Como estamos no ano de 2006, caberiam algumas projeções sobre o que pode acontecer em 20011.
1º Tema: O Dia 17 de julho de 1811.
Nesse tema, a idéia é identificar notícias, relatos, providências, todas relacionadas especificamente ao dia 17 de julho de 1811.
2º Tema: A Utopia, a Cidade Moderna, o Território Mítico, a arquitetura:
Nesse tema, uma abordagem arquitetônica da cidade, como ela foi pensada, construída, seus dilemas urbanos, a própria urbanização, as malocas, as favelas, o centro da cidade, a luz elétrica, o saneamento básico, a pavimentação, a água potável, o telefone, o automóvel, a televisão.
3º Tema: Maquete da Cidade Antiga
Nesse tema, pretende-se a construção de uma peça que constitua um polo de atração turística, em exposição permanente, reconstituindo, de forma fidedigna, pormenorizada, a cidade de Bagé, de antigamente, em que os visitantes poderão confrontar a cidade de antes e a cidade atual através: a) sistema de navegação por referência com percursos livres; b) visualizar cenas históricas; c) cenas do cotidiano; d) animações 3D; e) Quiosques multimídia.
4º Tema: Cartas Antigas e Viagens
Nesse tema, pretende-se visualizar o correio, a correspondência, as cartas, os contatos com o mundo, a caligrafia, as amizades no mundo, as comunicações de antigamente; Como chegar a Bagé (a carruagem, o trem, o automóvel, o avião).
5º Tema: Museu da cidade:
Nessa tema, pretende-se a construção de um espaço, em que as diversas exposições serão realizadas, seja de forma temporária ou permanente, inaugurando novas formas interpretativas e de exploração do passado, usando materiais, técnicas, linguagens atuais, com recursos de tecnologia de informação.
6º Tema: As Praças de Bagé:
Nesse tema, pretende-se resgatar o funcionamento, na cidade moderna, desse tipo de espaço; o cotidiano da cidade; a reconstrução da cidade; as intervenções urbanas; as zonas da cidade; os edifícios; as ruas, através de um roteiro turístico pela cidade, como também através de colóquios, conferências, seminários, edições e outras atividades.
7º Tema: A Cidade através da fotografia
Nesse tema, pretende-se mostrar a documentação fotográfica sobre Bagé, os fotógrafos, os eventos.
8º Tema: A Cidade através do Livro
Nesse tema, pretende-se mostrar o que se lia na cidade de Bagé, divulgando as obras clássicas, tanto as escritas por autores locais, como de outros autores do mundo. Encontros com os escritores locais e regionais, bem como de todo o país.
9º Tema: A História Militar de Bagé
Nesse tema, pretende-se organizar roteiros turísticos que valorizem a história militar de Bagé.
10º Tema: A História Legislativa do Município
Nesse tema, pretende-se resgatar a memória das leis que foram feitas em Bagé, no Rio Grande do Sul e no Brasil.
11º Tema: As grandes catástrofes que abalaram a história de Bagé
Os cuidados com os habitantes, a simulação dessas catástrofes, a defesa civil, os bombeiros,
12º Tema: A História da Saúde na Região
Os ferimentos, as doenças, os doentes, os desamparados, a morte, os hospitais, a medicina, as farmácias, os remédios, as epidemias.
13º Tema: Os Cemitérios:
A história dos cemitérios em Bagé, sua localização, os costumes, os comportamentos, os enterros, os mausoléus, mármores, catacumbas, registros, excentricidades, exotismo, transporte, religiosidade. O campo e a cidade.
14º Tema: A população marginal
Os roubos, os castigos, os ladrões, a segurança das casas, a segurança das instituições, a cadeia, a escravidão, as leis, os costumes, a alimentação dos presos, o transporte. O crime e a imprensa: os crimes que abalaram Bagé.
15º Tema: A História da Religiosidade em Bagé
Os Padres, as Freiras, a clausura, os bispos, as capelas, igrejas, catedrais, grutas, procissões, festas, espetáculos, música, encenações, religiões de Bagé, lugares místicos, o batuque, o espiritismo, os protestantes.
16º Tema: Os Movimentos Migratórios
Os emigrantes em Bagé: Espanhóis, Italianos, Alemães, Judeus, árabes, japoneses.
17º Tema: A Educação em Bagé
As primeiras escolas, os primeiros professores, os métodos, a tecnologia, os instrumentos, o mobiliário, os costumes, as avaliações, o colégio Nossa Senhora Auxiliadora, o colégio Espírito Santo, o colégio protestante.
18º Tema: Arqueologia na Região:
Os indígenas, os animais pré-históricos; flora, fauna, cavernas.
19º Tema: As Missões Jesuíticas na Região
O Posto de Santa Tecla e região.
20º Tema: O Império
O Conselho Municipal; os conselheiros; políticas públicas; as leis; a formação da cidade. As Invasões na fronteira.
21º Tema: A Escravidão em Bagé
Os primeiros escravos, a estância, o escravo campeiro, o escravo urbano, os avisos nos jornais, os costumes, os castigos, as fugas, as prisões, vestuário, o gaúcho e o escravo, as amas de leite.
22º Tema: A República
A instalação da República em Bagé; o republicanismo na região; governos e governantes; as políticas públicas; os relatórios dos Intendentes e Prefeitos.
23º Tema: Tertúlia Literária
Construções literárias sobre Bagé, no tempo e no espaço.
24º Tema: As Artes em Bagé
Gravuras, desenho, pintura.
25º Tema: A Família em Bagé
Os grupos familiares, as atividades, os costumes.
26º Tema: Os jornais em Bagé
Os diversos jornais de Bagé, no tempo. As mudanças. As grandes reportagens.
27º Tema: As rádios em Bagé
As diferentes rádios, o primeiro aparelho de rádio, os radialistas, a propaganda.
28º Tema: A Televisão em Bagé
A história da Televisão em Bagé: os aparelhos de televisão; a reprodução da programação; a produção; a história; os repórteres e reportagens.
29º Tema: A história da Banda Municipal de Bagé
A primeira banda municipal, músicos, músicas, partituras, ensaios, apresentações.
30º Tema: A Cidade Através da Música
Concerto Musical evocativo aos 200 anos de Bagé, com orquestras de todo o país.
31º Tema: A Música de Bagé
A Música de Bagé em seus 200 anos, seus intérpretes, letras, ritmos, melodias, composições.
32º Tema: A História do Futebol Bageense
Os atletas, os clubes, os estádios, as equipes.
33º Tema: Os próximos 200 anos: A Bagé do Futuro
Exercício livre de imaginação criativa.

17 DE JULHO DE 1811

"Apesar de João Antônio Cirne, o nosso proto-historiador, ter afirmado em seus “Apontamentos históricos de Bagé”, manuscrito datado de 1871, que a fundação desta cidade ocorrera a 17 de julho de 1811, quando Dom Diogo de Souza, depois de haver concentrado aqui o “Exército Pacificador” sob seu comando, rumou para Montevidéu, essa data ficou esquecida por largos anos.
Jorge Reis, ao publicar seus “Apontamentos históricos e estatísticos de Bagé”, em 1911, quando passou o centenário da Fundação de Bagé, deixou de registrar o dia desse acontecimento.
É a partir de 1951, em publicação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que aparece a data de 11 de junho de 1811, como sendo a em que Dom Diogo de Souza levantara acampamento e nomeara comandante do Distrito ao Capitão Ricardo de Mello.
Em sua memorável “História de Bagé” , Eurico Salis segue a mesma linha, que passa então a tomar consistência.
Essa divergência entre a informação prestada por João Antônio Cirne, e a introduzida pelo IBGE e seguida por Eurico Salis, obrigou a realização de uma pesquisa, na farta documentação de Dom Diogo de Souza , referente a esse período, para esclarecer o momento em que Bagé nasceu.
Walter Spalding, convidado para também estudar o assunto, em artigo divulgado pelo Correio do Povo de 20 de janeiro de 1955, mostrou que em 11 de junho Dom Diogo de Souza não se entrava em Bagé, embora em viagem para esse Acampamento, e que sobre a nomeação do Capitão Ricardo de Mello, nada encontrara a respeito.
O pesquisador gabrielense Gastão Abott, pelo mesmo jornal, em 1° de maio do mesmo ano, confirmava a data anunciada por João Antônio Cirne, como a da Fundação de Bagé e informava que o primeiro comandante do Distrito e Campo de Bagé havia sido o Tenente de Dragões Pedro Fagundes de Oliveira, dizendo inexistirem documentos sobre a presença de Ricardo Antônio de Mello e Albuquerque nesse posto, uma vez que à época era paisano.
Quando aqui se reuniu, nas comemorações do Bicentenário do nascimento de Dom Diogo de Souza, um Congresso de História, apresentei tese no sentido de ser fixado o dia 17 de julho de 1811 como a data da Fundação de Bagé.
Face à documentação oferecida ao exame dos participantes do conclave, entre os quais estavam os historiadores Walter Spalding , Dante de Laytano, Félix Contreiras Rodrigues, Eurico Salis, Francisco Marques dos Santos, para citar apenas estes, foi aprovada por unanimidade essa data, pois os documentos apresentados eram irretratáveis.
Em verdade, na correspondência expedida por Dom Diogo de Souza, como Governador do Rio Grande do Sul e Comandante em Chefe do “Exército Pacificador”, há um ofício dirigido ao Tenente de Dragões Pedro Fagundes de Oliveira, datado de 17 de julho de 1811, no qual anuncia a sua retirada deste “Acampamento dos Serros de Bagé”, e nomeia para Comandante do Campo e Distrito de Bagé, removendo-o da Guarda de São Sebastião onde se achava.
O inverno rigoroso, com passos cheios, caminhos pesados, cavalos em mau estado, obrigaram Dom Diogo de Souza deixar no Acampamento de Bagé, não só os animais que deveriam se recuperar em pastagens que viessem após as chuvas e as geadas, mas principalmente , oficiais e soldados que permaneciam no hospital, munições de boca e guerra, que ficavam nos armazéns reais, além das famílias que haviam sido autorizadas a se deslocar para Bagé, com a finalidade de acompanhar os oficiais e soldados que estiveram aqui estacionados por quase um semestre.
Assumindo o novo comando, Pedro Fagundes de Oliveira dizia a Dom Diogo de Souza, sentir-se “responsável por este Acampamento e seu Distrito, como autorizado para a defesa desta Fronteira, enquanto V.Ex.a. não permitir esta autoridade a outra patente mais superior”.
Nasceu Bagé, pois da disposição de Dom Diogo de Souza em deixar aqui por força das condições climáticas , parte de seu exército, e da dedicação de Pedro Fagundes de Oliveira em promover o bem estar das pessoas que ficaram sob sua responsabilidade.
O dia 17 de julho de 1811, como bem assinalava há 112 anos João Antônio Cirne, é o dia da Fundação de Bagé , e sempre o haveremos de comemorar com chuva e frio, que esses rigores da natureza foram os padrinhos desse nascimento".(TABORDA, Tarcísio Antônio Costa. Texto publicado no jornal CORREIO DO SUL de 17/julho/1983, p. 02).