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quinta-feira, 11 de junho de 2015

http://www.damayaespacocultural.art.br/VisualizarNoticiaPatrimonio/53/350/a-tradicao-que-se-renova-atraves-da-fe.aspx 

sábado, 6 de junho de 2015

A Festa das Velas Votivas em Bagé - VII

Cláudio Antunes Boucinha
[ Licenciado em História (UFSM). Mestre em História do Brasil (PUCRS)]
A Descrição da Festa


O Boletim  “24 de Maio”, órgão  da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, Bagé, 9 de maio  de 1943, já previa no programa geral da festa no dia 23 de maio  de 1943, à noite, “iluminação  das fachadas das casas, em homenagem a Nossa Senhora”.
Para o dia 24 de maio de 1943 estava prevista  uma “colossal procissão luminosa”, “cortejo cívico religioso, comemorando a Batalha de Tuiuti, e a festa litúrgica  da Virgem de Dom Bosco” ( Boletim 24 de Maio, Bagé, 9 de maio de 1943, p. 2).

O Livro de Crônica  de 1943, do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, anotava para o dia 23 de maio de 1943, o seguinte: “ À tarde, pelas 15:30, saiu  a procissão”. Tal afirmação precisaria ser contextualizada, visto que a maioria dos relatos sobre a festa apontavam o turno da noite como momento da procissão luminosa, em Bagé.
Iluminação das Casas no dia 23 à Noite, e 24

“Iluminação das casas no dia 23 à noite, e 24” era o que estava previsto no programa da festa, no Boletim 24 de Maio, Bagé, 9 de maio de 1943. A ideia de haver festas semelhantes em outras cidade do país e o uso de “lanternas venezianas”, era colocado desde o início da proposta:

“Como demostração prática da devoção do povo católico de Bagé à Virgem Mãe de Deus, vamos dar uma ideia  muito original que se costuma praticar em outros lugares do Brasil. Pedimos a todos os moradores que iluminem  a fachada de suas casas, a começar de 19:30 horas do dia 23, a um sinal dado pelos sinos da nossa torre. Esta iluminação pode ser feita com ao menos uma luz  em cada janela. As luzes podem  se de vela, azeite, que se acomoda dentro de algum copinho ou coisa semelhante. Lanternas venezianas servem também. Qual o motivo? Primeiro - um ar de festa, de boa vontade, de alegria! E há de ser belo o efeito na cidade! Segundo, como um EX-VOTO [ "Ex-voto – Wikipédia, a enciclopédia livre." 2006. 22 May. 2015 <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ex-voto>] a Nossa Senhora! Quem não tem algo a agradecer ou a pedir à Virgem Maria? E esta demostração pública de piedade e devoção há de ser motivo de proteção mais decidida  da Virgem Auxiliadora dos Cristãos. Aqui está lançada  a ideia! Deixamo-la por conta  das nossas queridas associações  religiosas e do povo devoto  de Nossa Senhora  para que a propaguem”(p.2).

“Aos Amigos Moradores  da Rua Tupy Silveira  e Praça Rio Branco”


O Boletim “24 de Maio” pedia  o seguinte, para os moradores dessas ruas:

“Rogamos  também iluminar  com copinhos, a hora  da passagem  do cortejo cívico religioso do dia 24(?) à noite, às 19 horas. Será um ato de devoção, ou delicadeza, ou estética, ou amizade, que desde já agradecemos”. (Bagé, 9 de maio de 1943).

“No Dia 23 de Maio de 1943”

Lâmpada Votiva do Lar em Homenagem a Nossa Senhora

O Boletim “24 de Maio”, do dia 23 de maio de 1943, comentava o seguinte, sobre a lâmpada votiva:

“Os devotos de Nossa Senhora hoje [ Dia 23 de maio de 1943] às 19:30 h vão iluminar as janelas das suas casas, em homenagem a ela, e como uma prece votiva que lhe fazem. Não é uma demostração de força – mas uma singela e espontânea manifestação cristã do amor a Virgem S. S.; certamente que ela há de abençoar este gesto tão mimoso! É a lâmpada votiva do lar cristão: e Nossa Senhora há de derramar muitas graças sobre todos aqueles que lhe prestarem este obséquio”(p. 2).

Notava-se a intenção de unir forças, e não de dividir; tal gesto lembrava atos de grande estadista, procurando a compreensão das outras igrejas e credos. Daí decorre o mimo, o carinho, a afetuosidade, o engrandecimento da alma. Notava-se também a acentuação do ato particular de cada um, de cada casa, de cada família, alumiando a cidade.

Em nota do Boletim “24 de Maio” havia o seguinte esclarecimento:

“Para orientação dos fiéis avisamos que esta iluminação fica a critério de cada um. O meio mais fácil é colocar um pedaço de vela num copo ou recipiente de vidro e nada mais. O período será de 7:30 da noite às 8:30 mais ou menos, ficando igualmente este tempo ao critério de cada um” (Bagé, 23 de maio de 1943, p. 2).


Grandiosa Manifestação de Fé Católica:
Imponente Cortejo Cívico-Religioso

O Boletim “24 de Maio” citava o jornal Correio do Sul, de 2(?) de maio de 1943, como relato de festa ocorrida em 23 de maio de 1943. Notava-se o percurso da procissão em direção ao norte da cidade:

“Conforme estava anunciado, realizou-se anteontem à noite (o jornal Correio do Sul deve ser o do dia 25 de maio de 1943, por essa indicação, “anteontem”, do próprio jornal), (…) o préstito luminoso, (…). Esta solenidade cívica-religiosa despertou o máximo interesse por parte da nossa população, que, na sua quase totalidade ali estava representada nas milhares de pessoas de todas as classes sociais, que tomaram parte no imponente cortejo. (…) Através da Av. Tupy Silveira, todas as casas se apresentavam luminada até as proximidades do Orfanato Bidart [ “Antigo orfanato Bidart. O prédio onde funcionou por longos anos o orfanato Bidart, depois transformado em fundação Bidart de Educação. A assistência foi inaugurada em 24 de dezembro de 1938(?)”. Mario Lopes. http://www.jornalfolhadosul.com.br/noticia/2012/12/22/inauguracao-de-candiota-i  . Conforme o Correio da Manhã, a instituição foi fundada em 1936, pelo casal Martim e Manoela Bidart, 1º Caderno. Sábado, Rio de Janeiro, 27 de maio de 1961, p. 3; Correio da Manhã - 1960 a 1969 - PR_SPR_00130_089842   . http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=089842_07&pagfis=18895&pesq=&url=http://memoria.bn.br/docreader#  . “VOLTANDO à pesquisa, Luiz Miguel [Luiz Miguel Saes Moraes, ex-aluno da escola municipal Fundação Bidart] procurou a pesquisadora Élida Garcia para conhecer melhor o percurso da Fundação Bidart desde a fundação em 29 de novembro de 1936. Há dados curiosos, por exemplo, a reunião de fundação ocorreu na sede da Associação Comercial e Industrial de Bagé. O desejo do casal Martin Bidart e Manoela era que parte de seu patrimônio servisse para criar um orfanato exclusivo para meninas”. http://www.alternet.com.br/portal/2014/06/28/aplausos-251/  ], onde, como um rio luminoso, as associações religiosas femininas e as senhoras católicas aguardavam, com suas lanternas acesas, a chegada do préstito para incorporarem-se a ele. (..) Através da Av. Tupy Silveira até a Praça Rio Branco, desfilou o imponente préstito luminoso, que constituiu um espetáculo inédito para a nossa cidade. (…) 15 mil pessoas” (CORREIO DO SUL, 25 de maio de 1943, citado pelo Boletim 24 de Maio, Bagé, 6 de junho de 1943, pp. 1-2).

O jornal Correio do Sul também relatava o seguinte, sobre os acontecimentos do dia 23 de maio de 1943, especificamente sobre a fachada da Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora:

“Às 19:30 horas, ao bimbalhar dos sinos da Matriz de N. S. Auxiliadora, cuja fachada se apresentava toda iluminada à velas, acenderam-se as lanternas da grande multidão de [...] que estacionava na frente da Matriz”. (CORREIO DO SUL, 25 de maio de 1943, citado por Boletim 24 de Maio, Bagé, 6 de junho de 1943, p. 2).


Mas não era somente a fachada da Matriz que estava iluminada:

“Desde às 18:30, toda a fachada da Matriz de N. S. Auxiliadora e do Colégio estavam profusamente iluminados por lâmpadas multicores! O efeito era magnífico”. ( Boletim 24 de Maio, Bagé, 6 de junho de 1943, p. 2).


Bagé, a Lourdes da Fronteira

Transparecia a dimensão alcançada pela festa no Município de Bagé, comparada a cidade francesa “Lourdes”, em termos de devoção, além de antecipação de uma das fontes de inspiração que marcaria para sempre a festa das velas votivas, a fonte do ecumenismo. As aparições de Nossa Senhora de Lourdes330px-Grotte_miraculeuse_à_Lourdes_Charles_Mercereau.jpg[http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/47/Grotte_miraculeuse_%C3%A0_Lourdes_Charles_Mercereau.jpg/330px-Grotte_miraculeuse_%C3%A0_Lourdes_Charles_Mercereau.jpg . Bernadette devant la grotte de Massabielle, le 11 février 1858. Gravure de Charles Mercereau] eram relembradas como exemplo a ser seguido:

“Mas a prova real de devoção patente ou instintiva que domina todos os corações bageenses para com Nossa Senhora, foi dada com a 'Lâmpada Votiva do Lar'! Dia 23(05/1943), às 19:30(h), como que se incendiou a cidade toda num espetáculo inédito de piedade e ternura cristã e de esperança em Maria S. S.! Pessoas de todas as categorias sociais e de todos os credos! Agremiações, sociedades, clubes e hotéis! E principalmente, o povo! O bom povo que ama a Nossa Senhora! O povo que sofre, o povo que espera, o povo que confia! E Maria S. S. Há de proteger, por força a este povo, a esta generosa cidade que pela sua devoção à Virgem merece ser chamada: a Lourdes da FronteiraVirgendeLourdes-2.JPG[http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fc/VirgendeLourdes-2.JPG .Notre-Dame de Lourdes par Joseph-Hugues Fabisch, 1864. http://fr.wikipedia.org/wiki/Apparitions_de_Lourdes]!”. (Boletim 24 de Maio, Bagé, 30 de maio de 1943).


O ecumenismo, a arte, a estética, a beleza como fundamentos da festa:

A Lâmpada Votiva do Lar. Pela noite, a cidade  apresentou aspecto místico e singular. Bagé que está sofrendo do ‘blackout’[ "Blackout - Wikipedia, the free encyclopedia." 2003. 27 May. 2015 <http://en.wikipedia.org/wiki/Blackout>] nas ruas viu-se  nessa noite  fantasticamente iluminada! Quase todas  as casas  tinham a sua lâmpada votiva! Pessoas  de todos os credos! Casas  houve em que a iluminação foi feita com toda a arte! Ganhou  a primazia  o Ginásio Espírito Santo com todas as suas janelas reverberando  de múltiplas cores, e em todas elas, Irmãs  e as alunas cantando e rezando! Espetáculo comovente e inesquecível! Por isso é que depois dessas provas todas de amor para com a Virgem Santíssima e da piedade sincera do povo, a gente tem que gritar: Viva Bagé, a cidade de Nossa Senhora! Viva Bagé, a Lourdes da Fronteira!”. (Boletim 24 de Maio, Bagé, 30 de maio de 1943, p. 2).


Em 1943, a história de devoção em Lourdes, através do cinema, ganhou popularidade:

“Em 1943, a história se tornou a base do filme A Canção de Bernadette. Jennifer Jones interpretou Bernadete, enquanto Linda Darnell retratou a Virgem Maria. O filme ganhou vários prêmios da Academia, incluindo um Oscar de Melhor Atriz por Jones. Na primeira cerimônia dos Globos de Ouro em 1944, Jones recebeu o prêmio de melhor atriz e o filme ganhou o Melhor Filme”. [ http://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_de_Lourdes ] 

The Song of Bernadette (no Brasil e em Portugal, A Canção de Bernadette) [ https://youtu.be/u41GJhPi8EI] é um filme norte-americano de 1943, do gênero drama biográfico, dirigido por Henry King, estrelado por Jennifer Jones e Linda Darnell e baseado no romance de Franz Werfel. [ http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Can%C3%A7%C3%A3o_de_Bernadette ]


Em 1958, a Câmara Municipal de Vereadores decretou Nossa Senhora Auxiliadora como padroeira de Bagé:


“DECRETO LEGISLATIVO Nº 068, DE 02/06/1958
Além do Padroeiro tradicional de Bagé, SÃO SEBASTIÃO, declara Padroeira da Cidade NOSSA SENHORA AUXILIADORA.

PALMOR PÔRTO BRIGNOL, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Bagé, em exercício.
FAÇO SABER que a Câmara Municipal aprovou e eu sanciono e promulgo o seguinte Decreto Legislativo:

Art. 1º Além de SÃO SEBASTIÃO, tradicional Padroeiro da Cidade, fica considerada, também, Padroeira de Bagé NOSSA SENHORA AUXILIADORA.
Art. 2º Fica declarado dia santo municipal, o dia 24 (vinte e quatro) de maio, da festa litúrgica de Nossa Senhora Auxiliadora, e considerado "ponto facultativo" e feriado escolar.
Art. 3º Este Decreto Legislativo entrará em vigor na data de sua promulgação.
Gabinete da Presidência da Câmara Municipal de Vereadores de Bagé, 2 de junho de 1.958”.[ http://www.camvbage.rs.gov.br/ ]

Conclusão


Ao que parece, a festa das velas votivas em Bagé nunca foi um objeto de estudo a não ser a partir  de 1979. Ainda será preciso um estudo aprofundado sobre o caso. O acento que se quer dar como uma festa cívico-religiosa não contempla todas as possibilidades estéticas da festa e nem mesmo seus aspectos místicos. Depende muito do olhar sobre o evento, buscando realmente as intenções de seus fundadores. A cultura que se desencadeia a partir da manifestação é muito maior que a própria cidade: é pensar o mundo de outra forma.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A FESTA DAS VELAS VOTIVAS EM BAGÉ - VI



Cláudio Antunes Boucinha 
[Licenciado em História (UFSM). Mestre em História do Brasil (PUCRS)]

Uso de Velas no Dia de Nossa Senhora Auxiliadora, em Bagé


O Ano em que tudo começou

O trabalho de Dias&Safons&/Guedes(1979) sugeria que a tradição  das velas votivas começou no dia 24 de maio de 1944(?), como idealização do padre Dr. Edgar de Aquino Rocha;

O vigário da Matriz  de Nossa Senhora  Auxiliadora, padre Dr. Edgar de Aquino Rocha, professor, orador, musicista, organizou, no dia 24 de maio de 1944(?), uma procissão luminosa na qual os participantes levariam  velas votivas e pediu  a população católica  que acendesse velas  nas janelas das casas”(Dias&Safons&/Guedes,1979).


Lamentavelmente, não há indicação de fontes, no trabalho de pesquisa realizado pelos estudantes, que sirvam para corroborar  tal argumentação.

Na verdade, a tradição  da festa das velas votivas em Bagé começou em em 24 de maio de 1943; e não um ano depois, em 1944(?), como sugeriam Dias&Safons&/Guedes(1979).

O livro  de Crônica  de 1943 do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora era claro, não deixava dúvidas:

“à noite, mais uma novidade: a lâmpada votiva. E quando os sinos da nossa matriz começaram  a repicar, de todos  os ângulos da cidade começaram  a surgir  pontos luminosos. As janelas  e sacadas das casas  começaram a iluminação. Foi uma coisa inédita!”.[ LIVRO DE CRÔNICA  DE 1943.  Bagé, dia 23 de maio de 1943. Colégio Nossa Senhora Auxiliadora].


O fato  da festa ter ocorrido no dia 23 de maio de 1943 era simples:

“Sendo hoje[ Dia 23 de maio de 1943] Domingo, antecipamos a festa para mais facilidade dos fiéis que desejavam participar da mesma” [Livro das Crônicas  de 1943, do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, dia 23 de maio de 1943].


O dia 24 de maio de 1943 seria segunda-feira, considerado um dia impróprio para a procissão.


Em 1944, a festa das velas votivas  voltou a acontecer:

“Às 19 horas ao repicar festivo dos sinos começaram a acender-se  as lâmpadas votivas do lar. O mau tempo reinante empanou um pouco o grande acontecimento”. [ Crônica  de 1944. Bagé, 24 de maio de 1944. Colégio Nossa Senhora Auxiliadora]


Edgar de Aquino Rocha


"O padre Edgar de Aquino Rocha nasceu em Juiz de Fora (Minas Gerais), no dia 18 de dezembro de 1899; em 1924, foi estudar Teologia, na universidade Pontifícia de Turim, doutorando-se em 1927; foi ordenado sacerdote em julho de 1927. Em 1941, o padre Aquino Rocha foi enviado para Bagé, como diretor do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. Entre 1948 e 1969, o padre Aquino Rocha esteve nos EUA, na Califórnia, na cidade de Oakland [ "..., Será o convidado de honra. O Rev. Dr. Edgar de Aquino Rocha, teólogo e escritor que está servindo como pastor assistente de Maria Auxiliadora Igreja brasileira, falará em Português. Anthony J. Silva, clube. .. ". Oakland Tribune - Oakland, California - 2 de Dez de 1949. http://www.myheritage.com.br/ ]. Em 1968, renunciou ao cargo que ocupava nos EUA. No dia 29 de novembro de 1972, o padre Aquino Rocha, faleceu".
"Em 11 de fevereiro de 1941, assumiu a Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, ema Bagé. Em dezembro de 1941, organizou a procissão luminosa em honra de Nossa Senhora Auxiliadora. Em nove de maio de 1942, inaugurou a gruta de Lourdes. Em 11 de fevereiro de 1945, inaugurou a Gruta de Lourdes, em São José. Em 24 de maio de 1946(?), organizou a "Lâmpada da Paz" [ Na verdade, foi em 24 de maio de 1943]. Em 24 de junho de 1944, benção na Capela São João (construída pelo Sr. João Oliveira).Em 29 de junho de 1944, festa de São Pedro e São Paulo, na Vila Petrópolis. Em 19 de novembro de 1944, festa de Santa Isabel, na Capela de São José. Em 26 de novembro de 1944, festa em São Martinho. Em 29 de junho de 1945, o padre Aquino Rocha celebrou as "Bodas de Prata" da Capela São Pedro (1920?), reestruturando a Escola Paroquial. Em 18 de novembro de 1945, os vinte e cinco anos da Capela de São Martinho (1920?). Em 12 de agosto de 1945, inauguração da Capela São Domingos. Em 1º de março de 1947, inauguração da Capela Santa Leocádia". [ (MURARO, Honorino João (Pe.). "Padre Edgar de Aquino Rocha". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 26 de agosto de 1984).
O padre Dr. Edgar de Aquino Rocha também era escritor.786389.jpg
http://www.traca.com.br/capas/786/786389.jpg
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Sobre o conteúdo do livro de Edgar de Aquino Rocha, notava-se a análise do capitalismo financeiro, durante a era imperialista, o que poderia sugerir o contexto econômico-político da época:

“Segundo o Prof. Edgar Aquino Rocha (1969, p.132): “O dumping [ "Dumping (pricing policy) - Wikipedia, the free encyclopedia." 2006. 27 May. 2015 <http://en.wikipedia.org/wiki/Dumping_(pricing_policy)>] é um processo comercial que consiste em vender as mercadorias por preço abaixo do custo, a fim de ganhar a concorrência, a preferência da clientela e introduzir artigos no mercado”. (...) Já para Edgar Aquino Rocha (1969, p.130): “O tipo das concentrações comerciais chama-se cartéis, palavra de origem alemã: Kartell [ “Das Wort "Kartell" hat seine Wurzel im griech. χάρτης (= Papyrusrolle, Papier, (Land-)Karte) und gelangte über lat. charta (vgl. Magna Charta, das englische mittelalterliche Grundgesetz), ital. cartello (Verkleinerungsform von ital. carta = Papier, Karte) und frz. cartel ins Deutsche. Er bezeichnete im Mittelalter eine Übereinkunft über die Kampfregeln im ritterlichen Turnier, dann für Duelle. Bis ins 18. Jahrhundert wurden so die Regelwerke für adelige Spiele und Wettkämpfe benannt. In der Neuzeit, besonders im 18. und 19. Jahrhundert, fand die Bezeichnung Kartell auch Verwendung für zwischenstaatliche Verträge: Der Leitgedanke eines Reglements für Auseinandersetzungen trat bei diversen Verträgen zwischen Krieg führenden Staaten zu Tage, etwa bei Kartellen über den Post- und Handelsverkehr oder die Behandlung von Kurieren, Kriegsgefangenen und Deserteuren. Erst seit etwa 1880 wird unter Kartell auch die Beschränkung von Wettbewerb zwischen Unternehmern verstanden, was nach und nach aber zur vorherrschenden Wortbedeutung werden sollte. Ebenfalls im späten 19. Jahrhundert wurden außerdem verbandspolitische Bündnisse als Kartelle bezeichnet, so der Zusammenschluss von Studentenverbindungen oder die Kartellparteien im Deutschen Kaiserreich, ein konservativ-nationalliberales Wahlbündnis. Anfang des 20. Jahrhunderts sah Karl Kautsky die Möglichkeit für ein Kartell zwischen Staaten, das an die Stelle der imperialistischen Konkurrenz der Großmächte treten und einen friedlichen Ultra-Imperialismus begründen würde”. http://de.wikipedia.org/wiki/Kartell ]; apareceu em 1873, na indústria siderúrgica desse país”. Em outra passagem, esse mesmo autor (1969, p.130) atesta que: “O tipo da concentração de natureza industrial são os trustes. (...) termo americano, trust [ “The "trust" name refers to the ability of the institution's trust department to act as a trustee – someone who administers financial assets on behalf of another. The assets are typically held in the form of a trust, a legal instrument that spells out who the beneficiaries are and what the money can be spent for”. http://en.wikipedia.org/wiki/Trust_company ], que significa proteção, garantia, confiança. O critério que os diferencia dos cartéis, se baseia no fato de não serem exclusivamente comerciais, mas estenderem-se ao campo industrial, reduzindo a produção do monopólio”. (...) “O truste pode ser horizontal ou vertical. O horizontal é constituído por empresas que se dedicam à produção de uma mesma riqueza (truste de petróleo, de grãos, de carnes). O vertical, de introdução recente, constitui formidável centralização das empresas que representam os sucessivos estádios da mesma indústria, desde a matéria-prima até o produto acabado”. Ao citar a empresa norte-americana Standard Oil Trust, Rocha comenta que: “um dos maiores trustes norte-americanos, construiu dezenas de pipelines[ "Pipelines - Wikipedia." 2003. 25 May. 2015 <http://en.wikipedia.org/wiki/Pipeline_transport>] (transporte do óleo por via tubular: oleoduto), de centenas de quilômetros cada um, para levar o petróleo bruto dos poços até os portos de embarque, sem perigo algum e com muito maior economia”. (...) De acordo com o Prof. Rocha (1969, p.133): “Oligopólio. A palavra vem do grego e significa mais ou menos poucos vendedores. Há oligopólio quando duas ou mais firmas produzem bens idênticos ou semelhantes. A característica básica do oligopólio é a habilidade dessas firmas individuais em influenciarem o preço. Se, por exemplo, três firmas produzem todo o aço para a indústria, uma delas querendo vender mais, pode alterar o preço do aço. Essa decisão pode levar as outras firmas a fazer o mesmo, mas com preço diferente ou até mais baixo””. [ ROCHA, Edgar Aquino. Princípios de Economia. São Paulo: Companhia Editora Nacional,1969. In O Papel do Estado na Intervenção da Economia Capitalista. Paulo Galvão Júnior & Marcus Eduardo de Oliveira. Paulo Galvão Júnior é economista brasileiro e Agente em Política Industrial. Autor do livro digital de Economia “RBCAI” e de artigos publicados no Brasil e no exterior, com destaque no site em português do jornal russo Pravda. Contato: paulogalvaojunior@gmail.com . Marcus Eduardo de Oliveira é economista brasileiro e especialista em Política Internacional. Autor dos livros “Conversando sobre Economia”, “Pensando como um Economista” e “Provocações Econômicas” (no prelo). Os artigos desse autor em torno de questões econômicas têm sido amplamente publicados no Brasil e no exterior, com destaque em Portugal, Cabo Verde, Timor Leste e Angola, além de Rússia. Contato: prof.marcuseduardo@bol.com.br . http://www.portaldoeconomista.org.br/arquivos/tribunas/010720101441432779.pdf ].

A FESTA DAS VELAS VOTIVAS EM BAGÉ - V

Cláudio Antunes Boucinha [ Licenciado em História (UFSM). Mestre em História do Brasil (PUCRS)]


Devoção Mariana no Contexto Cultural de Bagé:

Breve Referência Histórica

sobre as Velas Votivas

no dia 24 de Maio


Introdução


O principal trabalho de pesquisa feito sobre  a lâmpada votiva ou vela votiva, em Bagé, isto é, sobre a festa da padroeira de Bagé,  comemorada sempre no dia 24 de maio, foi o trabalho  de Dias&Safons&Guedes(1979).
A lâmpada votiva também foi objeto de resgate histórico, assim como sobre  a devoção mariana em Bagé, por parte de Giorgis(1999); Lopes(1998); Beckman&Beckman(1982); Vieira(1982); Ribas(1982).
No entanto, enquanto surpreendente e pioneira na busca  das origens dessa tradição em Bagé, o trabalho  de Dias&Safons&Guedes(1979) foi referência  obrigatória no que concerne  ao assunto.
Não era do interesse do estudo fazer histórico de como foi instituída  a data de 24 de maio como dia de Nossa Senhora AuxiliadoraImaculada-Conceição-Diego-Velazquez.jpghttp://www.montfort.org.br/imaculada-conceicao-honrar-a-deus-nas-suas-obras/imaculada-conceicao-diego-velazquez/ , possivelmente instituído em 1816, para lembrar acontecimento ocorrido em 24 de maio de 1814:


No entanto, a festa de Nossa Senhora Auxiliadora só foi instituída em 1816, pelo Papa Pio VII, a fim de perpetuar mais um fato que atesta a intercessão da Santa Mãe de Deus: Napoleão I, empenhado em dominar os estados pontifícios, foi excomungado pelo Sumo Pontífice. Em resposta, o imperador francês seqüestrou o Vigário de Cristo, levando-o para a França. Movido por ardente fé na vitória, o Papa recorreu à intercessão de Maria Santíssima, prometendo coroar solenemente a imagem de Nossa Senhora de Savona logo que fosse liberto. O Santo Padre ficou cativo por cinco anos, sofrendo toda espécie de humilhações. Uma vez fracassado, Napoleão cedeu à opinião pública e libertou o Papa, que voltou a Savona para cumprir sua promessa. No dia 24 de maio de 1814, Pio VII entrou solenemente em Roma, recuperando seu poder pastoral. Os bens eclesiásticos foram restituídos. Napoleão viu-se obrigado a assinar a abdicação no mesmo palácio onde aprisionara o velho pontífice. Para marcar seu agradecimento à Santa Mãe de Deus, o Papa Pio VII criou a festa de Nossa Senhora Auxiliadora, fixando-a no dia de sua entrada triunfal em Roma.http://noticias.cancaonova.com/conheca-a-historia-de-devocao-a-nossa-senhora-auxiliadora/

Também não era primordial buscar tradições semelhantes  no folclore e na cultura brasileira e mundial, embora deva citar  o caso da “Alumiação”arq_671.jpgAlumiação, c. 1940. Manaus, AM. , em Manaus, Amazonas, da exposição votiva  de milhares  de velas acesas ao redor dos túmulos  no dia de Finados, dois de novembro, nos cemitérios  públicos (CASCUDO, 1979, p. 44).


Diz-se em Manaus, Amazonas, da exposição votiva de milhares de velas acesas ao redor dos túmulos no dia de Finados, 2 de novembro, nos cemitérios públicos. A tradição cristã de simbolizar a vida humana, ou a fé, na chama das velas, significa também a presença de orações e lembranças aos mortos, desde o período das catacumbas, na era das perseguições imperiais. Nos países católicos as velas são acesas nas sepulturas no Dia de Finados, aniversário do falecimento ou qualquer data oblacional, durante o Advento, na manhã do dia do Natal, Todos os Santos (1º de novembro) ou Dia de Ano (1º de janeiro). Há uns cinqüenta anos as velas eram previamente “bentas”, mas hoje[ Ano de 1979?] já não há essa exigência. As velas acesas nos cemitérios são tradicionais, desde o México”. [ Luis da Câmara Cascudo. Dicionário do Folclore Brasileiro. http://adcon.rn.gov.br/ACERVO/dei/DOC/DOC000000000052487.PDF ]


As luminárias de origem chinesa ou japonesa, extremamente simbólicas,  lembram muito a experiência de Bagé :


Japanese Lanterns
“Paper lanterns are special kind of lanterns that originate from China and Japan. They are made from paper or silk, with frame from bamboo or wood and a lit candle inside as a source of light. Modern paper lanterns have battery-operated lamps. Traditional paper lanterns were made in the image of myths, things from nature and or in the spirit of local culture. Modern ones have many more different shapes: from traditional dragons to pop icons. They symbolize joy, celebration, good fortune and longevity, and they have role as protectors from evil.
Earliest data show that creating of paper lantern started in China somewhere in 230 BC. Myth says that Emperor Ming, after a dream he had, sent a scholar to India to get Hindu scriptures. When the scholar got back, emperor ordered building of a great temple for scriptures and ordered in it many of paper lanterns to symbolize Buddha’s power. Today paper lanterns are associated with festivals and (for the west) one of the characteristic symbols of the east. During the Lantern Festival in China, which is celebrated on the 15th day of the first moth of the lunar year, people bring many paper lanterns in order to honor the first full moon of the year. Children go with paper lanterns to temples and solve riddles on the lamps. This is the last ritual in the celebrating of Chinese New Year.
Chinese Paper Lanterns
One more festival is known for its use of paper lanterns and that is Mid-Autumn Festival that celebrates ending of the harvest. It is celebrated in China and Vietnam. There, paper lanterns symbolize sun, light and warmth, and prayer to the Sun to come back after the winter. East is not the only place that uses paper lanterns in its rituals and celebrations. During Christmas it is tradition some Hispanic communities to place paper bags with lit candle in it in long rows. That kind of paper lantern is called “farolito” or "luminaria76b10e8cf4ee090f566fe701f48a4c13.jpghttps://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/76/b1/0e/76b10e8cf4ee090f566fe701f48a4c13.jpg . They are placed with intention to lead spirit of a Christ child to the home of one who placed those lanterns. In the time of Festa della RificolonaFesta-della-Rificolona.jpghttp://unaitalia.ru/assets/galleries/89/thumbs/Festa-della-Rificolona.jpg , festival that is held in Florence, Italy on the 7th September in a place of the great fall market, children carry paper lanterns while other children try to shoot lanterns with pea-shooters. Some places, like restaurants and stores, hang paper lanterns for atmosphere, as decoration or to attract customers.
Although an old tradition, paper lanterns resisted time and are still here because they carry powerful symbolism”. http://www.historyoflamps.com/lantern-history/history-of-paper-lanterns/

As lanternas venezianascodega_low.jpghttp://www.italianbuddy.com/wp-content/uploads/2014/02/codega_low.jpg também participam dessa longa jornada através da história da humanidade, nas noites terrenas:












HISTORY OF THE CODEGA, When there was still no streetlights that illuminate Venice today, scattered everywhere, the city plunged into darkness after sunset. Only a few votive candles lighted sacred images along the walls, the "cesendeli". By the middle of the fifteenth century the number of assaults had soared so much that a law was passed which made it mandatory to use a light to those who go around past three in the morning. People then geared up with candles and candlesticks, lanterns and all sorts of light, while the nobles and the rich hired somebody to light the way for them: the "codega" that preceded them holding up a lantern. The word probably comes from the greek odegos, which means "guide", and in more recent times, when the "light-bearer" was no longer needed, the name was given to the hotel bellboy equipped with umbrella that welcomed guests on rainy days. The same name was also used for those who escorted girls back home after a theatre show. With some variation in meaning, the term survives today, indicating who happens to be the third wheel”. http://www.venice-carnival.org/en/approfondimento/3/history-of-the-codega.html

“In Venice, from the middle of the fifteenth Century, the nobles and the wealthy were preceded by a servant called "Codega", equipped with a lantern to enlighten their path in the darkness of night, delighting them with anecdotes and stories”. http://venice.cityexperience.it/en/a23/venice-carnival-2014-special-event.html

“In the past, Venice was not well lit by street lamps and along the numerous "calle", the typical narrow Venetian passageways, the only lights were the so-called "cesendeli", the candles used to illuminate the religious images on the walls. After a period of violence in about 1450, a law was passed forcing those who ventured outside after sundown to carry a light. They could use candles, candelabras, lanterns and many other types of lights. The nobility, the wealthy merchants, and especially the foreigners (foresti) were accompanied by a servant called a "codega" who held a lamp before them and helped them make their way. The term "codega" may derive from "cotica", the thick, hard pork skin used to feed the flame for the light. It may also derive from the greek "odegos", or "guide"”.http://www.hotelalcodega.com/location.php#


A pesquisa de tradições semelhantes é variável que precisa melhor avaliação e aprofundamento, visto que se argumenta a favor da originalidade  da tradição da vela votiva em Bagé. Todas essas experiências ajudam a compreender o significado das velas votivas em Bagé


Não era essencial , ainda, procurar  entender o uso de velas no folclore brasileiro e seu significado religioso ou mesmo suas origens  histórico-culturais, embora  também  possa se fazer pesquisa nesse sentido, como indicou Cascudo(1979, p 786), de maneira instigante.


O objetivo principal  era procurar as origens  da tradição das velas votivas em Bagé, procurando  seguir  o roteiro já delineado por Dias&Safons&/Guedes(1979), comparando  informações, somando esforços para resgatar a história de Bagé.