Páginas

Translate

mapa

translator

contador

ClustrMaps

ENOBLOGS

sábado, 10 de dezembro de 2016

vinhos da região da campanha

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/jornal-do-almoco/videos/t/edicoes/v/partiurs-conheca-a-rota-de-vinhos-da-campanha-no-rs/5504682/

terça-feira, 28 de junho de 2016

Apolônio de Carvalho, em Bagé

"(...) Como é que se formou e como foi a sua inserção na ANL? Como é que a ANL chegou aos quartéis, como essa proposta era recebida e o que representava nesse momento?
Eu saí da Escola Militar no final de 1932, em fins de 1933 eu já era oficial. Eu não era de tendência socialista, não tinha a visão de um regime diferente, mas o período da Escola Militar me ajudou muitíssimo a ter uma idéia contestatória desse período. Eu não tinha a alternativa, não tinha uma visão do socialismo, conhecia vagamente o que se dizia sobre a Rússia socialista da época etc. Mas achava, primeiramente, que era necessário mudar a sociedade brasileira. Ao sair da Escola Militar, eu já levava uma visão muito clara de que essa sociedade era muito injusta e de que era preciso modificá-la. Um colega do Rio Grande do Sul, um capitão do Exército, Rolim, muito amigo, me falou da ANL, o que era essa frente popular, o que era esse movimento democrático nacionalista, voltado naturalmente para profundas modificações econômicas mas também com muitas possibilidades de participação na sociedade, na vida política do país etc. E eu gostei do quadro geral, mas achei que era, ainda, pouco profundo e pouco avançado em relação à visão genérica que eu tinha das pessoas dessa época. Mas fiquei, mais ou menos, “ganho”. Logo depois, as circunstâncias me levaram a participar mais ativamente da criação da ANL. Então, eu participei da organização dessa frente popular, dessa organização de frente única, ampla, dentro da cidade de Bagé e outras cidades próximas". (...) "E o papel do PC? Não existia naquela época. Pelo menos na minha cidade não existia. Eu não conhecia o PC até aquele momento. A ANL era uma frente popular, uma formação de frente única, de frente ampla, com a presença e influência crescente dos comunistas. Mas sem ter sido criada pelos comunistas. Criada pelo movimento do inconformismo, pela luta contra as ameaças do regime de força, pela luta contra as ameaças de uma organização de tipo fascista, que se apoiava, em 1932, no que se chamava Ação Integralista Brasileira. Dentro desse quadro, havia o movimento operário combinando temas e bandeiras econômicos com temas e bandeiras políticos. A ANL surgiu dentro de um momento de preparação da primeira Lei de Segurança Nacional, da luta contra as ameaças de um regime de força, da luta contra o imperialismo. Havia uma corrente muito grande de movimentos, do movimento sindical, do movimento operário, da intelectualidade. O PC integrou-se a esse movimento, influenciou esse movimento. Mas, no Rio Grande do Sul, onde eu atuava, não existia o PC. Não existia em Bagé nem em Pelotas. É possível que existisse clandestinamente, mas não tinha expressão. Os que falavam comigo em nome da ANL não se diziam comunistas: Rolim devia ser comunista, membro do PC, mas não se apresentava como comunista". (...) "Você já era oficial quando foi preso? Era tenente. Já tinha dois anos de tropa. Eu fui preso e fiquei de fim de novembro até metade de março em Bagé, preso nos quartéis. Depois fui transferido para as prisões do Rio. (...) "Ao sair da prisão, você foi expulso do Exército brasileiro? Não, fui expulso quando ainda estava preso em Bagé, em 9 de abril de 1936, sem processo, sem ser ouvido". Fonte: 
  • Edição 06
  • 01 abril 1989
    • Paulo de Tarso Venceslau.Paulo de Tarso Venceslau é jornalista e membro do Conselho de Redação de Teoria e Debate. (Colaborou Daniel Aarão Reis Filho).
 http://www.teoriaedebate.org.br/materias/nacional/memoria-apolonio-de-carvalho .  

Padre Albano Slomp - conselheiro escolar do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Bagé, RS

“O Pe. Albano foi trabalhar como Conselheiro Escolar (encarregado dos estudos e da disciplina) no Colégio Dom Bosco, em Rio do Sul, SC, entre os anos 1949 e 1952. Entre 1953 e 1955 trabalhou na mesma função no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Bagé, RS.
"Tive a graça de conhecer o Padre Albano Slomp nos meus primeiros anos de vida. Ele trabalhou como "conselheiro escolar no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Bagé-RS, minha terra natal. Eu tinha apenas sete anos de idade, e ainda não era aluno do Colégio. Mas, como já tinha feito a Primeira Eucaristia, confessei-me com ele algumas vezes. Lembro-me, embora remotamente, de sua atenção, amizade e delicadeza. Ele era também diretor espiritual de minha irmã mais velha, leda Maria, que levava muito a sério a vida espiritual e me orientava na preparação para os Sacramentos. Entre as várias atividades do Padre Albano, em Bagé, destaco a animação que deu aos festejos do cinquentenário do Colégio Auxiliadora, em 1954, sendo, inclusive, o compositor do "hino do cinquentenário." (cf. o livro "Cem anos com a Rainha" sobre o centenário do Auxiliadora de Bagé, páginas 103-106). (Testemunho de Pe. Tarcísio Luís Brasil Martins, sdb Rio Grande - RS)”.1
1 Fonte: chrome-extension://ecnphlgnajanjnkcmbpancdjoidceilk/ http://salesianos.com.br/wp-content/uploads/2016/03/Albano-Slomp-P-2.pdf .

terça-feira, 29 de março de 2016

Guerra do Paraguai e Bagé: 150 anos(1864-2014) CAPÍTULO VIII


Cláudio Antunes Boucinha[ Licenciado em História (UFSM). Mestre em História do Brasil (PUCRS)].




“Não…”, ela respondeu. “É só a vida… A vida e o ar que se respira”.[ “A Alma e o Coração da Baleia”. Volta Ao Mundo Em 52 histórias. Neil Philip. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1998].




Unidades Militares, em Bagé, em 1864


Antes da preparação para a guerra do Paraguai, as forças da Guarda Nacional [Na Província] eram  de 1.711 praças na cidade de Bagé, em 1864, considerando a distribuição de tropas na Província, na época [os números não são exatos] :

A força da guarda nacional é de 38,805 homens, sendo 10,839 de infantaria da reserva e a restante de serviço activo; a força activa consta de 24,878 praças de cavallaria, 2,724 de infantaria e 344 de artilharia. A provincia [ Do Rio Grande do Sul] está dividida em 16 commandos superiores que são:
  1. o commando superior de Porto-Alegre e S. Leopoldo, com 5,613 praças;
  2. e de Quarahy e Sant’Anna do Livramento, com 3,688;
  3. o de Santo Antonio e Conceição do Arroio, com 3,419;
  4. o da Cruz-Alta, com 3,247;
  5. o do Passo Fundo, com 2,489;
  6. o de S. Borja, com 2,485;
  7. o do Triumpho , Taquary e S. Jeronymo, com 2,114;
  8. o do Rio Grande e S.José do Norte, com 1,909;
  9. o do Rio Pardo e Encruzilhada, com 1 ,908 ;
  10. o de S. Gabriel e Lavras, com 1 ,800 ;
  11. o da Cachoeira e Caçapava, com 2,160;
  12. o de Piratiny e Cangussú, com 1,771;
  13. o de Bagé, com 1,711;
  14. o de Santa Maria e S.Martinho, com 1,625;
  15. o de Pelotas, com 1,178,
  16. e o de Jaguarão, com 1,158”. [ SILVA, Domingos de Araujo e. Dicionário Histórico e Geográfico da Província de São Pedro ou Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro: Eduardo & Henrique Laemmert, 1865, p. 87. http://books.google.com.br/books/reader?id=nRY0AQAAIAAJ&printsec=frontcover&output=reader . O livro de Domingos de Araujo e Silva, Dicionário Histórico e Geográfico da Província de São Pedro ou Rio Grande do Sul, publicado no Rio de Janeiro, pelos editores Eduardo & Henrique Laemmert, originalmente encerrado o livro em 31 de dezembro de 1864, foi publicado em 30 de junho de 1865, não indicava claramente suas fontes, para o estudo].




Considerando o suposto total da população urbana de Bagé (4.000 pessoas) e o suposto total das forças da Guarda Nacional na localidade (1.711 homens),  calculava-se em 42,775% da população urbana que abandonou a cidade; pensando somente a Guarda Nacional, sem levar em conta os corpos de Voluntários da Pátria. A cidade ficou esvaziada,  especialmente da população masculina, em 1865?

GLADYS SABINA RIBEIRO, em artigo, assinalava os vínculos da Guarda Nacional com o poder local:

A Guarda Nacional era normalmente, organizada e  subordinada a autoridades locais, por sua vez subordinados a grandes senhores e proprietários; só eram membros da guarda nacional  aqueles que tivessem uma renda superior a 200$000. A centralização  da Guarda Nacional no momento que era incorporada ao exército  desagradou aos proprietários locais, o que causou uma dificuldade no  recrutamento destes guardas nacionais, para a guerra contra o Paraguai”. [ GLADYS SABINA RIBEIRO . “VOLUNTÁRIOS DE PAU E CORDA”: OS POPULARES E A RESISTÊNCIA
NA GUERRA DO PARAGUAI. (1864-1870). ANPUH – XXIII SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – Londrina, 2005. http://anpuh.org/anais/wp-content/uploads/mp/pdf/ANPUH.S23.0428.pdf ].




Vitor Izecksohn afirmava que “ser membro  da Guarda Nacional ainda era, na década de 1860, um símbolo de status e uma das melhores  desculpas para escapar ao recrutamento. Além disso, o prestígio de chefes locais era associado à proteção que poderiam proporcionar”. [ Vitor Izecksohn. “Recrutas da Pátria”. In Nossa História. Ano 2\ nº 13, novembro de 2004. Biblioteca Nacional. São Paulo: Vera Cruz\Ministério da Cultura, 2004, p. 31].




Ricardo Salles afirmava que “O Rio Grande do Sul foi a Província  que mais combatentes mandou para o Paraguai. 34 mil soldados [ Domingos de Araújo e Silva indicava outros números: “38,805 homens”], 17% de sua população masculina. Localizada em área fronteiriça, contava com uma estrutura militar, baseada na organização de corpos  da Guarda Nacional, mais permanente. Por isso o número de Voluntários da Pátria foi relativamente pequeno, 3.200 soldados”. [ SALLES, Ricardo. “Negros Guerreiros”. In Nossa História. Ano 2\ nº 13, novembro de 2004. Biblioteca Nacional. São Paulo: Vera Cruz\Ministério da Cultura, 2004, p. 32].




Pode-se concluir, portanto, que muito mais que os Voluntários da Pátria em si mesmos, no caso do Rio Grande do Sul, deve-se considerar o conjunto de forças que saíram para combate da Província, especialmente os corpos da Guarda Nacional.




MENDES jr & MARANHÃO (1983), anotava as questões fundamentais sobre o exército:

Devem-se também ao problema de se definir o que era o exército e que tipo de forças participaram. Os 18 mil homens de 1865 constituíam  o chamado exército, mas este não era a força militar fundamental do Império, nem tinha realmente importância em escala nacional.

A força militar do Império  era a Guarda Nacional, cujo oficialato era formado diretamente pelos latifundiários, comerciantes e políticos, a aristocracia imperial, e cujas ações fundamentais se voltavam para o controle da ordem interna e a manutenção do poder da aristocracia agrária”.