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sábado, 6 de dezembro de 2014

A Ferrovia em Bagé

http://www.jornalminuano.com.br/VisualizarNoticia/13975/trilhos-do-progresso-completam-130-anos-.aspx 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O Barão de Itararé em Bagé

 

Introdução

O texto  a seguir é de autoria de José Carlos Teixeira Giorgis. O trabalho foi publicado no Jornal Minuano. Giorgis é atualmente o Diretor do Memorial do Judiciário do Estado do Rio Grande do Sul:

“Em 23 de janeiro de 1998, Portaria assinada pelo Presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador Adroaldo Furtado Fabrício, criou o Projeto Memória. O início das atividades ocorreu em 6 de julho do mesmo ano, já na Presidência do Desembargador Cacildo de Andrade Xavier. Mais tarde, pela Portaria nº 35/2000-P, de 11 de outubro de 2000, o Projeto converteu-se em Centro de Memória do Judiciário Gaúcho. E somente mediante a Portaria nº 01/2002, assinada pelo então Presidente, Desembargador Luiz Felipe Vasques de Magalhães, em 09 de janeiro de 2002, o Centro transformou-se em Memorial do Judiciário do Estado do Rio Grande do Sul. Em 29 de janeiro do mesmo ano, foram inauguradas as novas instalações no andar térreo do Palácio da Justiça”. (…) “O Memorial é coordenado por Desembargador designado pelo Presidente do Tribunal de Justiça. Atualmente, a equipe é composta por seis servidores e quatro estagiários do TJRS, além do Diretor. Diretor: Desembargador José Carlos Teixeira Giorgis.

 

José T. Giorgis

terça-feira, 19 de novembro de 2013 às 22:22

 O jornalista Apparício Torelly, por sua vida social e política ou pelo fino humor que imprime em seus textos, sem dúvida é uma das mais singulares e pitorescas personalidades da primeira metade do século vinte.

Chegou-se a atribuir seu nascimento a Bagé (janeiro de 1895), como também Rio Grande, onde moravam seus pais, que disputa o privilégio de haver sido seu berço; mas ele mesmo esclarecia que viera ao mundo a bordo de uma diligência "em algum lugar do Uruguai", pois sua mãe, oriental, queria ter o parto na fazenda de seus genitores, no departamento de Trinta e Três.

Todavia é inequívoco que desembarcou em Bagé, vindo de Rio Grande, em dezembro de 1919, aqui estreando como humorista em janeiro de 1920, numa conferência intitulada "As caras", realizada no Teatro Avenida. Sua impressão sobre a cidade ficou registrada em uma de suas primeiras crônicas no "Correio do Sul", onde narrou: "Embarco de manhã. Dia quente. Às duas e trinta e cinco da tarde, por entre uma nuvem de pó, em plena marcha do comboio, resolvo que a vida é estúpida, às três horas, o trem sai dos trilhos. Estúpido também. Os passageiros sofrem sustos passageiros. Gritos, reclamações. Eu também perco a linha".

Mais adiante escreveria: "Voltarei a Bagé em automóvel, em bicicleta, em carroça de bois, em velocípede, em carrinho de mão, por mar, a cavalo, de qualquer jeito. De trem, nunca mais!".

Hospedado no Hotel do Comércio, repara que sua palestra irá acompanhar os festejos pela mudança de ano e conta: "Grupos de rapazes despejam seus revólveres. Eu fico quieto, Mais tiros. Mais disparos. Ninguém me acerta. Eu não reajo. Se alguém me ferir, disparo, sim, disparo também. É perigoso passear de aeroplano, por cima de Bagé, na noite de Ano Novo. Não me impressiono com a passagem de Ano".

Conquistou a amizade de Fanfa Ribas que o chamava de "meu vate"; e por isso o substituiu na direção do jornal por duas semanas, quando Apporelly, alcunha adotada, criou a coluna "Traços e Troças", onde, para enfrentar a lama que enfrentavam os pedestres, lançou um texto filosófico: "O barro existente em nossas ruas traz consigo a vantagem bíblica de manter-nos a constante lembrança da nossa lodosa origem ( ). Foi com um punhado dessa argila escorregadia, amassada com perícia experimentada do Divino Escultor, que nosso pai Adão foi fabricado". Como o periódico, atacava duramente a Borges de Medeiros; e ao mesmo tempo colaborava com o "O Rebate", de Pelotas, onde tinha muitos admiradores.

Com a volta de Fanfa Ribas, parte para São Gabriel elogiado pelo diretor pela "maneira gentil e correta com que se desobrigou do espinhoso encargo"; mas em fevereiro de 1922, ao retornar a Bagé, ataca furiosamente seu antigo mestre, taxando-o de " aliado da ditadura borgista" e qualificando-o de "viscoso diretor do Correio do Sul", tudo escrito em "A tradição", folha que desde 1921 tinha "como diretor o talentoso, primoroso poeta-humorista Apparício Torelly" e fundada por Ivo Roxo para apoiar a candidatura de Rafael Cabeda, maragato que pedia votos para Artur Bernardes, enquanto Fanfa favorecia Artur Pinto Rocha e pregava a abstenção dos maragatos na eleição presidencial.

Era ferina a raiva de Apporelly contra Artur Pinto da Rocha, pois o candidato, "um adesista interesseiro", no passado havia comemorado a morte de Gumercindo Saraiva na "A Federação", em injúria histórica ("Miserável! Pesada como os Andes te seja a terra que generosamente vai cobrir teu cadáver maldito"), chamara o herói maragato de "besta fera do Sul e carrasco do Rio Grande", e classificara Silveira Martins como "Judas Iscariotes", mas agora bajulava os correligionários daqueles em busca de votos.

Technorati Marcas:

Após as vitórias de Cabeda e Bernardes, "A Tradição" encerra sua publicação, sendo substituída (1922) pela chegada a Bagé do "Diário do Commércio", de que Apporelly já era colaborador.

Em São Gabriel o jornalista dirigiu "A Notícia", fustigando Borges e apoiando Assis Brasil, logo eclodindo a Revolução de 1923; mais tarde (1924) dirigiria, em São Gabriel, "A Reação", considerado órgão oposicionista e simpático à Aliança Libertadora.

Em 1921 casara com Alzira Alves, criada por um médico gabrielense, pois, segundo entendia, não devia seguir o conselho do filósofo cínico, que, a respeito do casamento dissera: "Se fores moço, ainda é muito cedo; se fores velho, já é muito tarde".

Seus filhos Ary e Arly aqui nasceram; e Ady, em Rio Grande, já com a união deteriorada.

Após o desquite, em que acusou Alzira de adultério, vem a lume relação amorosa que teve com a esposa de seu protetor gabrielense, um verdadeiro escândalo, sendo ameaçados por um grupo denominado "os degoladores", não mais voltando à cidade.

Deixando os filhos em Rio Grande, foi para o Rio, onde construiu vida de resistência política e humor, já como Barão de Itararé.

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Obra consultada: "Entre sem bater. A vida de Aparício Torelly, o Barão de Itararé", de Cláudio Figueiredo. Casa da Palavra, 2012. Nela o autor agradece ao professor Cláudio Antunes Boucinha, cujo blog com trechos de Apporelly no "Correio do Sul", o estimulou a investigar a carreira do humorista na imprensa do interior do RS na década de 1920.

Por: José Teixeira Giorgis.

Fonte: http://jornalminuano.com.br/VisualizarNoticia/4394/o-barao-de-itarare-em-bage.aspx#.UtUyTNJGU08 .

terça-feira, 9 de julho de 2013

O Principe Negro Joaquim Custódio de Almeida

Os ingênuos de Bagé - Lei do Ventre Livre - Lei Rio Branco

A Lei do Ventre Livre em Bagé

Introdução

Claudio Antunes Boucinha

O texto de Cléber Eduardo Dias, "Os Ingênuos de Bagé", publicado no jornal "Minuano", resgatava parte da história da escravidão em Bagé, especialmente sobre os efeitos da Lei do Ventre Livre. Chamava atenção as fontes históricas utilizadas por Cléber Eduardo Dias: "Consultando os dois livros nos quais o cônego Bittencourt registrou os batizados dos ingênuos, isto é, os livros correspondentes aos anos 1871-1880 e 1880-1884 o número de crianças livres foi de 1434.". Tais livros deveriam estar abertos e disponíveis para a pesquisa de todos, em lugar acessível, com as devidas e costumeiras cautelas e cuidados. Em todo o caso, o que vale é saber da existência desses livros. Bagé é cidade antiga e seus segredos ainda estão bem guardados. As surpresas se multiplicam, com o tempo. 


"Os ingênuos de Bagé"

Cléber Eduardo Dias


"A Lei nº 2040 de 28/9/1871, chamada de Lei Rio Branco, por ter sido criada pelo Gabinete do então Visconde do Rio Branco, José Maria da Silva Paranhos, posteriormente chamada de Lei do Ventre Livre foi decretada com o intuito de libertar os filhos de mulheres escravas, os assim denominados “ingênuos”. 

Segundo Rio Branco a manutenção da escravidão no Brasil diante do cenário internacional era uma instituição injuriosa, menos para os escravos e mais para o país que sofria ataques de movimentos abolicionistas no Brasil e no exterior.

O Artigo 1.º reza que: 

“Os filhos de mulher escrava que nascerem no Império desde a data desta lei serão considerados de condição livre”.

Enquanto que o 1º parágrafo do mesmo artigo afirma: 

“Os ditos filhos menores ficarão em poder o sob a autoridade dos senhores de suas mães, os quais terão a obrigação de criá-los e tratá-los até a idade de oito anos completos. Chegando o filho da escrava a esta idade, o senhor da mãe terá opção, ou de receber do Estado indenização de 600$000, ou de utilizar-se dos serviços do menor até a idade de 21 anos completos. No primeiro caso, o governo receberá o menor e lhe dará destino, em conformidade da presente lei”.

Assim, ou bem o dono da escrava deveria sustentar a criança até os oito anos completos, após o que deveria optar por receber uma indenização de 600 réis e a criança iria parar sob os cuidados do governo ou bem a mantinha com sua mãe no trabalho, devendo libertá-lo aos 21 anos.

Embora fosse o costume anotar os batizados e demais sacramentos recebidos por escravos em livro à parte, a Presidência da Província exige a criação de livros especificamente dedicados a recolher os batizados e óbitos das crianças nascidas após a Lei do Ventre Livre e remeter informes à mesma Presidência da Província. 

Com isto a autoridade pretendia manter um controle para conhecimento e previsão dos gastos com indenizações e o futuro dos assim chamados “ingênuos”. 

Não é por demais dizer que a situação, de fato, dos nascidos livres ficou como letra morta; pois qual seria o senhor de escravos a querer receber a quantia irrisória de 600 réis enquanto poderia dispor do trabalho escravo de mais um membro até os 21 anos?

Consultando os dois livros nos quais o cônego Bittencourt registrou os batizados dos ingênuos, isto é, os livros correspondentes aos anos 1871-1880 e 1880-1884 o número de crianças livres foi de 1434. 

O primeiro nascido sob o abrigo da Lei do Ventre Livre em Bagé foi um menino de nome Faustino e o último, outro menino de nome Lourenço. 

Emblemático é o nome da mãe do ingênuo de nome Faustino, cujo nascimento se deu aos 8 de outubro de 1873 e o batizado no dia 26 do mesmo mês e ano; segundo o termo de batismo registra: 

“Faustino, nascido a oito deste mês, por conseguinte livre, filho de Felicidade, crioula escrava de Antero Corrêa (…)”.

Desde cedo a Sociedade Abolicionista Luso-Brasileira lutava em prol da extinção da escravidão. 

Em diversos estados e cidades o fim da escravidão já havia sido decretado. 

Em Bagé, desde 1883, figuram entre os delegados representantes da Sociedade Abolicionista Luso-Brasileira o Promotor Público Cornélio Teixeira Guimarães, o General Joca Tavares e o jornalista Jorge Reis. 

A fundação do Clube Abolicionista de Bagé se dará em 16 de março de 1884 contando com 16 sócios, tendo entre os fundadores o Capitão Rodrigo Nunes Galvão, Martim Bidart Filho, o coronel José Bonifácio da Silva Tavares, Manoel Dias dos Santos, Zeferino Gomes de Freitas e o jornalista Jorge Reis; e como presidente do Clube o Cônego Bittencourt. Era na residência da Paróquia São Sebastião a sede do Clube Abolicionista de Bagé.

Quando em 28 de setembro de 1884 a Câmara Municipal de Bagé declara extinta a escravidão o Cônego Bittencourt canta o solene Te Deum na Matriz e sai com seus colegas do Clube Abolicionista de Bagé de estandarte em mãos em procissão. 

Apesar de tudo, ainda em 1887, Bagé contava com 82 pessoas submetidas à escravidão que receberam sua liberdade com a publicação da Lei Áurea aos 13 de maio de 1888".

Fonte: PONTO DE VISTA. Cléber Eduardo Dias. Nos primórdios da Igreja Católica em Bagé - décima quinta parte - [23H:15MIN] 09/07/2013 - OPINIÃO. http://www.jornalminuano.com.br/noticia.php?id=89447&busca=1&palavra=ing%EAnuos .