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terça-feira, 29 de março de 2016

Guerra do Paraguai e Bagé: 150 anos(1864-2014) CAPÍTULO VIII


Cláudio Antunes Boucinha[ Licenciado em História (UFSM). Mestre em História do Brasil (PUCRS)].




“Não…”, ela respondeu. “É só a vida… A vida e o ar que se respira”.[ “A Alma e o Coração da Baleia”. Volta Ao Mundo Em 52 histórias. Neil Philip. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1998].




Unidades Militares, em Bagé, em 1864


Antes da preparação para a guerra do Paraguai, as forças da Guarda Nacional [Na Província] eram  de 1.711 praças na cidade de Bagé, em 1864, considerando a distribuição de tropas na Província, na época [os números não são exatos] :

A força da guarda nacional é de 38,805 homens, sendo 10,839 de infantaria da reserva e a restante de serviço activo; a força activa consta de 24,878 praças de cavallaria, 2,724 de infantaria e 344 de artilharia. A provincia [ Do Rio Grande do Sul] está dividida em 16 commandos superiores que são:
  1. o commando superior de Porto-Alegre e S. Leopoldo, com 5,613 praças;
  2. e de Quarahy e Sant’Anna do Livramento, com 3,688;
  3. o de Santo Antonio e Conceição do Arroio, com 3,419;
  4. o da Cruz-Alta, com 3,247;
  5. o do Passo Fundo, com 2,489;
  6. o de S. Borja, com 2,485;
  7. o do Triumpho , Taquary e S. Jeronymo, com 2,114;
  8. o do Rio Grande e S.José do Norte, com 1,909;
  9. o do Rio Pardo e Encruzilhada, com 1 ,908 ;
  10. o de S. Gabriel e Lavras, com 1 ,800 ;
  11. o da Cachoeira e Caçapava, com 2,160;
  12. o de Piratiny e Cangussú, com 1,771;
  13. o de Bagé, com 1,711;
  14. o de Santa Maria e S.Martinho, com 1,625;
  15. o de Pelotas, com 1,178,
  16. e o de Jaguarão, com 1,158”. [ SILVA, Domingos de Araujo e. Dicionário Histórico e Geográfico da Província de São Pedro ou Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro: Eduardo & Henrique Laemmert, 1865, p. 87. http://books.google.com.br/books/reader?id=nRY0AQAAIAAJ&printsec=frontcover&output=reader . O livro de Domingos de Araujo e Silva, Dicionário Histórico e Geográfico da Província de São Pedro ou Rio Grande do Sul, publicado no Rio de Janeiro, pelos editores Eduardo & Henrique Laemmert, originalmente encerrado o livro em 31 de dezembro de 1864, foi publicado em 30 de junho de 1865, não indicava claramente suas fontes, para o estudo].




Considerando o suposto total da população urbana de Bagé (4.000 pessoas) e o suposto total das forças da Guarda Nacional na localidade (1.711 homens),  calculava-se em 42,775% da população urbana que abandonou a cidade; pensando somente a Guarda Nacional, sem levar em conta os corpos de Voluntários da Pátria. A cidade ficou esvaziada,  especialmente da população masculina, em 1865?

GLADYS SABINA RIBEIRO, em artigo, assinalava os vínculos da Guarda Nacional com o poder local:

A Guarda Nacional era normalmente, organizada e  subordinada a autoridades locais, por sua vez subordinados a grandes senhores e proprietários; só eram membros da guarda nacional  aqueles que tivessem uma renda superior a 200$000. A centralização  da Guarda Nacional no momento que era incorporada ao exército  desagradou aos proprietários locais, o que causou uma dificuldade no  recrutamento destes guardas nacionais, para a guerra contra o Paraguai”. [ GLADYS SABINA RIBEIRO . “VOLUNTÁRIOS DE PAU E CORDA”: OS POPULARES E A RESISTÊNCIA
NA GUERRA DO PARAGUAI. (1864-1870). ANPUH – XXIII SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – Londrina, 2005. http://anpuh.org/anais/wp-content/uploads/mp/pdf/ANPUH.S23.0428.pdf ].




Vitor Izecksohn afirmava que “ser membro  da Guarda Nacional ainda era, na década de 1860, um símbolo de status e uma das melhores  desculpas para escapar ao recrutamento. Além disso, o prestígio de chefes locais era associado à proteção que poderiam proporcionar”. [ Vitor Izecksohn. “Recrutas da Pátria”. In Nossa História. Ano 2\ nº 13, novembro de 2004. Biblioteca Nacional. São Paulo: Vera Cruz\Ministério da Cultura, 2004, p. 31].




Ricardo Salles afirmava que “O Rio Grande do Sul foi a Província  que mais combatentes mandou para o Paraguai. 34 mil soldados [ Domingos de Araújo e Silva indicava outros números: “38,805 homens”], 17% de sua população masculina. Localizada em área fronteiriça, contava com uma estrutura militar, baseada na organização de corpos  da Guarda Nacional, mais permanente. Por isso o número de Voluntários da Pátria foi relativamente pequeno, 3.200 soldados”. [ SALLES, Ricardo. “Negros Guerreiros”. In Nossa História. Ano 2\ nº 13, novembro de 2004. Biblioteca Nacional. São Paulo: Vera Cruz\Ministério da Cultura, 2004, p. 32].




Pode-se concluir, portanto, que muito mais que os Voluntários da Pátria em si mesmos, no caso do Rio Grande do Sul, deve-se considerar o conjunto de forças que saíram para combate da Província, especialmente os corpos da Guarda Nacional.




MENDES jr & MARANHÃO (1983), anotava as questões fundamentais sobre o exército:

Devem-se também ao problema de se definir o que era o exército e que tipo de forças participaram. Os 18 mil homens de 1865 constituíam  o chamado exército, mas este não era a força militar fundamental do Império, nem tinha realmente importância em escala nacional.

A força militar do Império  era a Guarda Nacional, cujo oficialato era formado diretamente pelos latifundiários, comerciantes e políticos, a aristocracia imperial, e cujas ações fundamentais se voltavam para o controle da ordem interna e a manutenção do poder da aristocracia agrária”.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Guerra do Paraguai e Bagé: 150 anos(1864-2014) CAPÍTULO VII


Cláudio Antunes Boucinha [ Licenciado em História (UFSM). Mestre em História do Brasil (PUCRS)].


“Não…”, ela respondeu. “É só a vida… A vida e o ar que se respira”. [ “A Alma e o Coração da Baleia”. Volta Ao Mundo Em 52 histórias. Neil Philip. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1998].

População em Bagé, em 1864


Primeiramente, notava-se o caráter rural do município, pois a maioria da população morava no campo[ Pulação rural: 12.959], sendo a cidade[População urbana: 4.000] apenas um mero apêndice do campo. Ou será que é exagero falar no conteúdo circunstancial da zona urbana, em 1864, em Bagé? Pelotas, por exemplo, na mesma época, tinha 8.000 pessoas na zona urbana, possivelmente. A Vila de Uruguayana tinha, provavelmente, 5.000 pessoas. Porto Alegre, provavelmente,  em torno de 30.000. A ´população da Província estava em torno de 500.000 pessoas.
Em Bagé, a população de escravos chegava, provavelmente, aos  26, 34% da população total; este índice aproximava-se da população escrava na maioria das comunidades no Rio Grande do Sul, em torno de 30%. Nessa época, o escravo “campeiro”, preponderava sobre outras formas de escravidão dos negros africanos.


População para o ano 1864\1865

População total: 22. 153
livres: 16. 316
escravos: 5.837
População urbana: 4.000
Pulação rural: 12.959. [  SILVA, Domingos de Araujo e. Dicionário Histórico e Geográfico da Província de São Pedro ou Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro: Eduardo & Henrique Laemmert, 1865, p. 87. http://books.google.com.br/books/reader?id=nRY0AQAAIAAJ&printsec=frontcover&output=reader . O livro de Domingos de Araujo e Silva, Dicionário Histórico e Geográfico da Província de São Pedro ou Rio Grande do Sul, publicado no Rio de Janeiro, pelos editores Eduardo & Henrique Laemmert, originalmente encerrado o livro em 31 de dezembro de 1864, foi publicado em 30 de junho de 1865, não indicava claramente suas fontes, para o estudo].


Vila de São Sebastião de Bagé, 1873,

Residência dos Fazendeiros


Eduardo Wilhelmy, observou a cidade nos anos de 1870, depois da transformação da Vila de São Sebastião de Bagé em cidade, em 1859:
“... é considerado o primeiro fotógrafo que fixou a imagem da cidade, de forma panorâmica, em 20 de outubro de 1873. Sabe-se pouco[!] sobre Wilhelmy, acredita-se que ele era um “fotógrafo itinerante”, daqueles que costumavam viajar frequentemente pelo mundo[!], permanecendo pouco tempo nas comunidades por onde passavam. As fotografias originais produzidas por Wilhelmy estão expostas na Biblioteca Pública de Bagé. Elas nos mostram uma cidade ainda desprovida das redes de água, esgotos e energia elétrica. Entretanto, com o surgimento das charqueadas e depois com os frigoríficos, Bagé passou a mostrar-se próspera e firme. Na foto em destaque, pode-se observar o entroncamento das antigas ruas Três de Fevereiro a São Sebastião  (atual Flores da cunha com a Marechal Floriano)”. [  Cid M. Marinho. Geral 11/07/2015 20h26. "Bagé e seus antigos fotógrafos"].
Na Figura 1, foto registrada por Wilhelmy, em Bagé; notava-se os seguintes dizeres: “Tirada a vôo de pássaro” O traçado em tabuleiro de xadrez já estava definido nas ruas; o calçamento  ainda nao aparecia:
Figura 1



“Nós amamos belas fotografias. Nas fotos, a beleza nem sempre vem de uma combinação atraente de cores e iluminação. Igualmente crucial é a perspectiva, o ângulo, a composição e, o mais importante, a idéia por trás do clique ou a situação em que a foto foi tirada. Uma tendência interessante que podemos notar recentemente é a utilização da visão de pássaro (também conhecida como panorâmica) de tirar fotografias. Os fotógrafos modernos gostam de experimentar coisas novas e fazer fotos que desafiam o lugar comum. E este tipo de fotografia permite ver algo de cima como se o observador fosse um pássaro. Eu fico só imaginando as possibilidades daqui a alguns anos de tirar fotos, como as apresentadas nesta vitrine de fotos aéreas, que brindem em conjunto a possibilidade de um zoom de ver formiga, conforme aquela de Tóquio. Os desenvolvimentos tecnológicos recentes tornaram as imagens de satélite mais acessível. O Microsoft Bing Maps oferece inclusive fotos aéreas diretas de satélite de todo o planeta, mas também tem um recurso, ainda tímido, chamado visão de olho de pássaro em alguns locais. Em geral as fotos de olho de pássaro são em ângulo de 40 graus, em vez de ser para baixo, possibilitando para quem vê a sensação de "sobrevoar" e observar o mundo a partir deste ângulo específico. Vejam estas 32 incríveis fotos de vista de pássaro de cidades pelo mundo”. 





Certo Eduardo Wilhelmy, aparecia relacionado a cidade de Canguçu, como professor, em 1905, conforme  CORALIO BRAGANÇA PARDO CABEDA. Seria a mesma pessoa que esteve em Bagé, em 1873?

Eduardo Wilhelmy, alemão que conhecera Canguçu em 1869 e que lá se estabeleceria como respeitado professor no distrito da Florida, assim descreveu o contraste existente entre a Vila animada daqueles tempos recuados e a povoação decadente de 1905:
Uma alegre e laboriosa população a habitava e todos os seus moradores achavam-se satisfeitos com a sua situação, ganhando o suficiente para uma vida cômoda e alguma coisa de sobressalente para as distrações que animam o espírito para novos trabalhos. Nessa época, todos os estancieiros de importância do município tinham casas na Vila, que habitavam, senão sempre, pelo menos o maior tempo do ano. E hoje[1905], de todas estas famílias, muito poucas restam morando aqui. Vários chefes delas já se acham no além-túmulo, outras se mudaram para a República do Uruguai, Pelotas, etc. e as suas casas se vão desmoronando desde o tempo da revolução [1893/1895]. Outros, venderam as suas propriedades por menos da terça parte do custo. Faço somente lembrar a do falecido Horácio Piegas, que a Intendência comprou por 12 contos, custando este palacete uns 38 contos de réis’.
E completava: ‘A vila tem uns 600 habitantes, que já tinha, ou talvez mais, há uns 30 anos’. [Almanak Litterario e Estatístico do Rio Grande do Sul para 1905, p. 153-154]. (...) Os indícios, pois, apontavam na mesma direção, isto é, aquele palacete que fora vendido por um terço de seu custo, segundo o alemão Eduardo Wilhelmy, e que era, agora, a sede da Intendência Municipal… (...) Repetia-se, em ponto pequeno, aquilo que o alemão Eduardo Wilhelmy testemunhara quando da Revolução Federalista…”. A  NOITE  DO  BAMBU. CORALIO BRAGANÇA PARDO CABEDA. Versão revista e sensivelmente ampliada do artigo originalmente publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do RS,  nº 132. Membro do Instituto Histórico e Geográfico do RS. chrome-extension://ecnphlgnajanjnkcmbpancdjoidceilk/https://www.tjrs.jus.br/export/poder_judiciario/historia/memorial_do_poder_judiciario/memorial_judiciario_gaucho/revista_justica_e_historia/issn_1676-5834/v2n3/doc/14-Cabeda.pdf .




Maria Angela Peter da Fonseca & Elomar Antônio Callegaro Tambara informavam que Wilhemmy chegou ao Brasil em 1865;  “pioneiro de múltiplas funções, também foi fotógrafo, tradutor, correspondente de um jornal alemão de Porto Alegre”:

Em 1865, o professor Eduardo Wilhelmy  proveniente da Alemanha,  veio para a província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Inicialmente dirigiu-se para a Colônia de São Lourenço e hospedou-se na casa da família Rheingantz [Jacob Rheingantz fundou a Colônia de São Lourenço em 1858 (FONSECA, 2007, p.61 -  FONSECA,   Maria   Angela   Peter   da.  Estratégias   para   a   Preservação   do   Germanismo: (Deutschtum): Gênese, e Trajetória de um Collegio Teuto-Brasileiro Urbano em Pelotas (1898-1942). 2007. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Pelotas, Pelotas.)]. Há indícios de que, com sua vocação docente, tenha ministrado aulas na escola fundada em 1862 (SIMON, 1938, p. 12). [SIMON, A. Deutsche Evangelische Gemeinde Pelotas (Rio Grandenser Synode) 1888-1938 Zum50=jährigen Jubiläum. (Jubileu de 50 anos da Comunidade Evangélica Alemã de Pelotas (Sínodo Rio-Grandense) 1888-1938). São Leopoldo: Druck von Rotermund & Cia., 1938. No   entanto,   a  cultura   e   o  conhecimento   do  professor  Eduardo  Wilhelmy  foram direcionadas para uma atuação intensa na área educacional em Pelotas, a partir da década de 1870, tanto que em 1879, fundou o Collegio Commercial e, em 1880, fundou o Collegio Ozorio.   Em   1886,  em  anexo   ao   Collegio   Commercial,   abriu   uma  Elementarschule für Mädchen (Escola Elementar para Meninas) sob a direção de D. Angelina Klein auxiliada por Cecília Wilhelmy, filha de Eduardo Wilhelmy. No ano seguinte, ministrou aulas no Curso Commercial noturno, que funcionou no Collegio Evolução do professor Luiz Carlos Massot e, em 1889, lecionou no Lyceu Rio- Grandense de Agronomia Veterinária. Nesse mesmo ano, abriu  Die Deutsche Schule  (A Escola Alemã), uma escola para meninos e meninas, onde o ensino era em alemão. A Escola Alemã representava o anseio de um grupo de alemães e teuto-brasileiros, membros da Comunidade Evangélica Alemã fundada em outubro de 1888. O professor Eduardo Wilhelmy foi um dos fundadores da comunidade e, devido à carência de profissional especializado, exerceu, paralelamente às suas atividades docentes, as funções de pastor leigo, até 1898. Além das ações educacionais e pastorais, foi professor particular de língua alemã, tradutor e correspondente de um jornal alemão de Porto Alegre e incentivador da cultura alemã, dirigindo uma sociedade de canto (SIMON, 1938). (...) No entanto, um ano antes da fundação do Collegio Allemão de Pelotas, o professor Eduardo Wilhelmy fechou seu Instituto de Ensino em Pelotas, transferindo-se para Canguçu, onde veio a fundar uma nova comunidade e uma nova escola. Pioneiro de múltiplas funções, também foi fotógrafo, tradutor, correspondente de um jornal alemão de Porto Alegre, dirigente de uma sociedade de canto e grande incentivador da cultura alemã em Pelotas, conjugando a docência com o exercício de pastorado, tendo sido o primeiro leigo a desenvolver as funções de pastor na Comunidade Evangélica de Pelotas. Todavia, apesar de ser fundador de escolas, viu à distância, a materialização e a continuidade de seus ideais através da fundação do Collegio Allemão de Pelotas, em 1898, sob a chancela do Sínodo Rio-Grandense”. [ UM PIONEIRO DE MÚLTIPLAS FUNÇÕES EM PELOTAS (1879-1898). Maria Angela Peter da Fonseca – UFPel – mariangela@via-rs.net [Doutoranda e Pesquisadora do Centro de Estudos e Investigações em História da Educação - Faculdade de Educação - Universidade Federal de Pelotas – RS]  & Elomar Antônio Callegaro Tambara – UFPel – tambara@ufpel.edu.br [Pós-Doutor em Educação – Professor e Pesquisador do Centro de Estudos e Investigações em História da Educação -  Faculdade de Educação - Universidade Federal de Pelotas – RS].chrome-extension://ecnphlgnajanjnkcmbpancdjoidceilk/http://sbhe.org.br/novo/congressos/cbhe7/pdf/05-%20HISTORIA%20DA%20PROFISSAO%20DOCENTE/UM%20PIONEIRO%20DE%20MULTIPLAS%20FUNCOES.pdf ].


Maria Angela Peter da Fonseca & Elomar Antônio Callegaro Tambara informavam também que, em 1897, Wilhelmy transferira-se para Canguçu:

“No  entanto,  em  1897,  por  motivo  de  saúde,  o  professor  Eduardo  Wilhelmy  fechou essa  escola  em  Pelotas  e  se  transferiu  para  Canguçu,  onde  fundou  uma  nova comunidade e uma nova escola”. [ PRIMÓRDIOS DE UM COLÉGIO TEUTO-BRASILEIRO URBANO EM PELOTAS NO FINAL DO SÉCULO 19. Maria Angela Peter da Fonseca; Universidade Federal de Pelotas, Brasil & Elomar Antonio Callegaro Tambara, Brasil; Universidade Federal de Pelotas, Brasil.  Este  trabalho  baseia-se  na  dissertação Estratégias  para  a  preservação  do  germanismo  (Deutschtum): gênese e trajetória de um colégio teuto-brasileiro urbano em Pelotas (1898-1942), que foi apresentada no curso de mestrado em Educação da Universidade Federal de Pelotas (2007). chrome-extension://ecnphlgnajanjnkcmbpancdjoidceilk/http://seer.ufrgs.br/asphe/article/viewFile/26198/pdf ].



Cláudio Moreira Bento registrou que Wilhelmy era natural de Stettin

[ “While in the Kingdom of Prussia, the province was heavily influenced by the reforms of Karl August von Hardenberg[3] and Otto von Bismarck.[4] The Industrial Revolution had an impact primarily on the Stettin area and the infrastructure, while most of the province retained a rural and agricultural character.[5] From 1850, the net migration rate was negative; Pomeranians emigrated primarily to Berlin, the West German industrial regions and overseas.[6]” . https://en.wikipedia.org/wiki/Province_of_Pomerania_(1815%E2%80%931945) .  “Szczecin (/ˈʃtʃɛtʃɪn/; Polish pronunciation: [ˈʂt͡ʂɛt͡ɕin] ( listen); German: Stettin, known also by other alternative names) is the capital cityof the West Pomeranian Voivodeship in Poland. In the vicinity of the Baltic Sea, it is the country's seventh-largest city and a majorseaport in Poland. As of June 2011 the population was 407,811.[1] Szczecin is located on the Oder River, south of the Lagoon and the Bay of Pomerania. The city is situated along the southwestern shore of Dąbie Lake, on both sides of the Oder and on several large islands between the western and eastern branches of the river. Szczecin borders directly with the town of Police and is the urban center of the Szczecin agglomeration, that includes communities in the German states of Brandenburg and Mecklenburg-Vorpommern. (...)  In the late 19th century, Stettin became an industrial town, and vastly increased in size and population, serving as a major port for Berlin”. https://en.wikipedia.org/wiki/Szczecin ].

Bento também resgatou escrito de Wilhelmy, em 1905, em que o fotógrafo alemão afirmava que havia estado na Vila de São Sebastião de Bagé:

Estas casas focalizadas eram moradias de estancieiros ricos de Canguçu no século 19 até a Revolução de 93. Sobre aspecto é relevante o depoimento em 1906[?] do alemão Alfredo[?] Wilhelmy natural de Stetin

[ Germany's lost cities: Stettin (Szczecin). Published: 13 June 2010. Last Updated: 12 November 2013 by Adam Carr. “In May 2008 I spent three weeks travelling in Poland. I was particularly interested to visit four major Polish cities which were once part of Germany – Szczecin (Stettin), Gdansk (Danzig), Wroclaw (Breslau) and Poznan (Posen)”. http://www.axishistory.com/about-ahf/50-museums/museums-memorials/796-germanys-lost-cities-stettin-szczecin ].

que residiu na Florida e conheceu Canguçu em 1869 ao final da Guerra do Paraguai em suas andanças como fotografo pelo Rio Grande do Sul. Ele escreveu:

Exceto Bagé
[ prep. Com a exclusão de; fora, salvo, menos, à exceção de].
e Jaguarão achei Canguçu a Vila mais animada de todas. Uma alegre e laboriosa população a habitava e todos os seus moradores se achavam satisfeitos com a sua situação, ganhando o suficiente para uma vida cômoda...Nesta época todos os estancieiros de importância tinham casa na vila e que habitavam , senão sempre , pelo menos a maior parte do ano . E hoje[1905?]? De todas estas famílias poucas restam morando aqui. Vários chefes já morreram e outros se mudaram para o Uruguai e Pelotas etc...Suas casas se vão desmoronando desde os tempos da Revolução de 93. Outros venderam suas casas por menos de terça parte do custo. Lembro somente a do falecido Horácio Piegas que a Intendência comprou por 12 contos de réis , quando este palacete custou 38 contos....O vagaroso progresso que se nota em Canguçu vila e município contrasta com a inteligência de seus habitantes...Os vemos pelos muitos canguçuenses que hoje [1905] noutros pontos ,Pelotas e Porto Alegre ocupam posição digna na sociedade, já por sua cultura , já por sua atividade nos cargos públicos e particulares que bem desempenham’". [ CANGUÇU - SEUS PALACETES,SOBRADOS E CASARÕES DO SEC.XIX. Em Memória do confrade falecido Dr. Nilson Meireles Prestes. Pelo Cel. Cláudio Moreira Bento pela ACANDHIS. (Sessão da ACANDHIS Colégio N.S Aparecida em 24 de junho de 2004).  http://www.ahimtb.org.br/cangconstrucoes.htm  ].


Cláudio Moreira Bento registrava que o depoimento de Wilhelmy era do ano de 1906, o que parecia erro:

“´Foi relevante o depoimento em 1906[?] do alemão Alfredo[?] Wilhelmy natural de Stetin que residiu na Florida e conheceu Canguçu em 1869 ao final da Guerra do Paraguai em suas andanças como fotografo pelo Rio Grande do Sul. Ele escreveu:

Exceto Bagé e Jaguarão achei Canguçu a vila mais animada de todas. Uma alegre e laboriosa população a habitava e todos os seus moradores se achavam satisfeitos com a sua situação, ganhando o suficiente para uma vida cômoda...Nesta época todos os estancieiros de importância tinham casa na vila e que habitavam , senão sempre , pelo menos a maior parte do ano . E hoje  [1905?]? De todas estas famílias poucas restam morando aqui. Vários chefes já morreram e outros se mudaram para o Uruguai e Pelotas etc...Suas casas se vão desmoronando desde os tempos da Revolução de 93. Outros venderam suas casas por menos de terça parte do custo. Lembro somente a do falecido Horácio Piegas que a Intendência comprou por 12 contos de réis , quando este palacete custou 38 contos....O vagoroso progresso que se nota em Canguçu vila e município contrasta com a inteligência de seus habitantes...Os vemos pelos muitos canguçuenses que hoje[1905]noutros pontos, Pelotas e Porto Alegre ocupam posição digna na sociedade, já por sua cultura , já por sua atividade nos cargos públicos e particulares que bem desempenham’. [ Cel Cláudio Moreira Bento. Presidente da Academia Canguçuense de História. MUNICÍPIO DE CANGUÇU-RS: FORMAÇÃO HISTÓRICA. O presente artigo é um resgate sintético da História do município de Canguçu- RS, com apoio em interpretação a luz da História Militar Terrestre do Brasil no Rio Grande do Sul e, muito revelador de fatos e circunstâncias históricas relevantes que foram esquecidos por historiadores estaduais e nacionais e por falta de historiadores locais que os registrassem e impedissem que fossem esquecidos e cobertos pela patina dos tempos. E o autor espera que o leitor e pesquisador interessados concordem com o seu ponto de vista.   http://www.ahimtb.org.br/cangformhist.htm  ].


Cláudio Moreira Bento, em outro escrito, deixava bem claro que o ano era 1905, para o testemunho de Wilhelmy. Além do mais, Bento registrava algumas fotografias de Wilhelmy:

CANGUÇU EM 1905 SEGUNDO WILHELMY. O professor Eduardo Wilhelmy no final de 1905 publicou trabalho sobre o título: "Vila de Canguçu – Descrição Geográfica (65?)". Ele escreveu em certo trecho, para caracterizar a recessão e retrocesso econômicos atravessados por Canguçu após a Revolução de 93.

"O escritor dessas linhas conhece a vila desde 1869, quando pela primeira vez aqui chegou em suas viagens pelo Estado. Depois de sua estada ali, como fotógrafo viajante, ainda visitou a maior parte das vilas e cidades do sul. Porém, exceto Bagé e Jaguarão, achei que Canguçu era a Vila mais animada dentre todas. Uma alegre e laboriosa população a habitava e todos os estancieiros de importância tinham casas na vila que habitavam, senão sempre, pelo menos o maior tempo do ano. E hoje[1905?]? De todas estas famílias muito poucas restam morando aqui. Vários chefes já morreram e outros se mudaram para o Uruguai e Pelotas, etc... Suas casas se vão desmoronando desde o tempo da Revolução de 93. Outros venderam suas casas por menos de terça parte do custo. Lembro somente a do falecido Horácio Piegas que a intendência comprou por 12 contos de réis, quando este palacete custou uns 38.

E finalizava:

"O vagaroso progresso que se nota na vila e município contrasta com a inteligência geralmente bem notável de seus habitantes. Em um meio acanhado, longe dos centros populosos, muitos caracteres não se definem, muitas inteligências permanecem ocultas. Vêmo-lo pelos muitos filhos daqui que hoje [1905], noutros pontos, Pelotas e Porto Alegre, ocupam posição digna na sociedade, já por sua ilustração, já por sua atividade nos cargos públicos e particulares que bem desempenham".

O professor Wilhelmy era natural de Stetin, Alemanha. Ligou-se inicialmente por casamento à família de Jacob Rheighantz, o colonizador de São Lourenço. 

[  “Parecida com a história de Santa Catarina, transcorreu a colonização dos imigrantes no Rio Grande do Sul, no extremo sul do Brasil. A colonização de lá teve início do lado ocidental da Lagoa dos Patos, em São Lourenço. Em 1856 Jakob Rheingantz adquiriu oito milhas quadradas de terras em Pelotas, para lá criar uma colonização. Ele se responsabilizou de, em cinco anos, fazer as medições das terras e fixar lá pelo menos 1.440 colonos. O governo pagava por cada imigrante, com idade entre 10 e 45 anos, um valor de 30 mil réis por ano. O dinheiro da viagem era adiantado aos colonos pelo sr. Rheingantz. Os primeiros colonos que chegaram num navio à vela, da Holanda, não  foram  considerados  adequados  para  a  colonização.  Somente  em  1859 quando chegaram os colonos pomeranos foi que começou a distribuição de lotes de terra. Foram então abertas picadas no meio da mata para que cada um pudesse chegar até o seu lote. Foram então chamados de “Pommernpicade” (Picadas dos Pomeranos) e “Mühler picade” (Picada do Moinho). No relatório do dr. Borchard, do ano de 1868, lemos:

“São Lourenço é uma colônia genuinamente alemã e tem aproximadamente 1.650 habitantes. Entre todas as demais colonizações é destacada como a mais próspera e a mais desenvolvida e, devido ao fácil acesso que tem com o Rio Grande e Pelotas, conseguem vender seus produtos por um preço quase igual ao da capital, Porto Alegre. Desta forma,  os  assíduos  colonos,  em  pouco  tempo,  ou  seja,  entre  8  a  10  anos,  conseguiram pagar as suas dívidas subsidiadas para a vinda, de 800 a 1000 mil réis e se encontram numa situação próspera”.

Dr.  Borchard  veio  destinado  a  São  Lourenço  devido  à  precária  situação  religiosa  no  local,  pois  em  todos  os  lugares  apareciam  leigos  como pastores.  As  comunidades  escolhiam  alguns  professores  da  região  que  ocupavam paralelamente essa função. No fundo, a comunidade apenas desejava um pastor para fazer os ofícios de batismo, matrimônio e enterros. Para os cultos dispensavam os pastores. Além disso, os pomeranos exigiam que todos os ofícios devessem ser em pomerano, da mesma maneira como em seu país de  origem.  Eles  não  tinham  qualquer  noção  ou  conhecimento  das  normas religiosas de Württemberg. Assim, somente poucas comunidades tinham um pastor formado e a igreja ficou negligenciada. Para reverter essa situação o dr. Borchard foi enviado para o local. Apesar de os pomeranos da Picada dos Moinhos e em Quevedos já terem  contratado  professores  para  ministrar  os  cultos,  dr.  Borchard  conseguiu convencê-los a contratarem um pastor formado. Em Picada Feliz encontrou uma pessoa digna, como presidente da igreja, que ainda usava farda da Prússia, decorada com moedas reais. Em muitos lugares os professores eram contratados para celebrar os cultos pois, por lá, não apareciam pastores evangélicos. Desta forma, Friedrich Wilhelmy executou o seu ofício com muita honra e dignidade. De Canguçu, ele escreveu:

“Espero que a minha presença e o meu trabalho possam influenciar moralmente o povo daqui e perante o reconhecimento da necessidade e como representante alemão, não quero  deixar  de  cumprir  as  minhas  obrigações  e  achei  oportuno,  também,  assumir  as doutrinas religiosas. Referente a este assunto já fiz várias reuniões com o povo para lhes esclarecer  o  que  realmente  é  a  religião,  respectivamente,  o  que  é  a  religião  evangélica, pois a maioria dos moradores acredita que os protestantes não deveriam ser denominados de cristãos”.

Na  maioria  das  vezes  as  tentativas  de  fundar  uma  comunidade  fracassava por falta de dinheiro. Os colonos não só ficavam responsáveis pela construção da igreja, da casa pastoral e pagamento do salário do pastor mas também, por iniciativa e por conta deles, se responsabilizavam pelo pagamento  do  professor  e  pela  manutenção  das  escolas.  Uma  regra  ditada  entre  os colonizadores quando chegaram dizia: “irmãos iguais, responsabilidades iguais”. Desta forma todos pagavam a mesma contribuição e as despesas extras eram divididas  em  quotas  iguais.  Esta  regra  permaneceu  válida  ainda  por  muitos anos,  quando  já  haviam  surgido  grandes  diferenças  entre  os  colonos  e,  em alguns lugares, ainda era aplicada na ocasião da minha visita”. chrome-extension://ecnphlgnajanjnkcmbpancdjoidceilk/http://www.ape.es.gov.br/pdf/pomeranos_sob_o_cruzeiro_do_sul.pdf . KLAUS GRANZOW. POMERANOS SOB O CRUZEIRO DO SUL. Colonos Alemães no Brasil. Coleção Canaã. Volume 10. Vitória, 2009. Arquivo Público do Estado do Espírito Santo. Título original: Pommeranos Unter Dem Kreuz Des Südens - Deutsche Siedler in Brasilien. (obra publicada na Alemanha por Horst Erdmann Verlag/Tübingen und Basel, 1975). 1859 - 2009. Edição Comemorativa dos 150 anos da Imigração Pomerana no Espírito Santo. ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
Rua 7 de Setembro, 414, Centro, Cep.: 29.015.905. Vitória, Espírito Santo, Brasil. www.ape.es.gov.br ].


Manteve o prestigiado e moderno Colégio Osório em Pelotas a partir de 1880 no regime de internato, no qual adotava revolucionário e moderno processo de ensino, segundo Fernando Luiz Osório (66?) "incluindo a abolição dos castigos corporais". Foi professor e líder religioso protestante na Flórida, em Canguçu, onde preparou a primeira geração de canguçuenses com curso universitário. Médicos: Drs. Luiz de Oliveira Lessa, Paulo Mesko que foi diretor do Hospital da Polícia Militar de São Paulo, Teófilo Mattos e o jurista e mais tarde desembargador Cândido Correia de Paiva (67). Possuo [ Claudio Moeira Bento]

retrato de Firmina Percilia Moreira, nossa avó tirado por esse fotógrafo no término da Guerra do Paraguai. E muitas outras fotos da época foram por ele tiradas. Angelo Moreira [ Major ÂNGELO PIRES MOREIRA (1913-2006).http://www.ahimtb.org.br/ogaucho35.htm ].

o estudou no Diário Popular, Pelotas, 15 out. 1981. Nota: Estivemos em Canguçu em 16 e 17 de abril de 2004,onde inclusive realizamos um agradável passeio de moto ao longo do itinerário CANGUÇU- POSTO BRANCO- ESTAÇÃO DE RADARES- DESCIDA PELA ESTRADA DAS TROPAS -ESTRADA DA PRODUÇÂO- EDÁGIO- ILA DOS CAMPOS- RETORNO PELA ESTRADA VELHA A CANGUÇU. Percorremos em longas caminhadas matinais as ruas de Canguçu. E de tudo nos ficou a surpreendente impressão de que Canguçu havia retomado em progresso o que Eduardo Whilelmy havia constatado antes da malfadada Revolução de 93. Notei quanta diferença entre o Canguçu de 1983 quando lancei a 1ª edição deste livro com o Canguçu de 21 anos mais tarde .Votos de que Canguçu progrida bastante e principalmente culturalmente .Pois ele merece”.

[ "O presente trabalho se refere a uma reprodução parcial de nossa obra CANGUÇU REENCONTRO COM A HISTÓRIA – UM EXEMPLO DE RECONTITUIÇÃO DE MEMÓRIA COMUNITÁRIA, publicado pelo Instituto Estadual do Livro em 1983 no total de 500 volumes. Trabalho por sua vez que se constitui numa síntese ,por questões de economia, de uma pesquisa bem mais ampla sobre Canguçu ,que elaboramos de 1956 a 1983, por 27 anos e a qual se referem os números constantes do texto desta síntese e referentes a pesquisa original inédita, da qual reproduzimos diversas cópias disponíveis para consultas em meu poder ,(cmbento@resenet.com.br ), na ACANDHIS, na Biblioteca do Colégio N.S Aparecida, Biblioteca Municipal de Canguçu ,Arquivo Histórico do RGS, IHGRGS, Cúria Metropolitana, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Para enriquecer e atualizar o trabalho publicado em 1983, acrecentamos ao final de determinados trechos a palavra Nota. E a seguir o acréscimo como atualização. Esperamos poder reeditar o trabalho com todas a sua iconografia que aqui reproduzimos as mais importantes. Este trabalho possui como moldura a História Militar do Brasil no Rio Grande do Sul , aspecto predominante no Rio Grande do Sul de 1800/1932, por cerca de 132 anos: Reflexos em Canguçu das guerras : Guaranítica 1752/56 , as do Sul 1763/75, a de 1801, a de 1812, as contra Artigas 1816 e 1820, a Cisplatina 1825/28, a Revolução Farroupilha 1835/45, a contra Oribe e Rosas 1851/52, a contra o Uruguai em 1864 , a do Paraguai 1865/70, a Revolução Federalista e Revolta na Armada 1893/95, a Revolução de 23, a de 24/26, a de 30 e a de 32 que teve seu epílogo em 20 de setembro de 1932 em Cerro Alegre em Piratini. Votos de bom proveito aos internautas canguçuenses que a cada dia aumentam mais e interessados na História de Canguçu".  http://www.ahimtb.org.br/cangureenchist.htm#c1905 ].


SILVANA DE MATOS BANDEIRA anotava também o testemunho de Wilhelmy, fornecendo detalhes:

“Outro imigrante ilustre de Canguçu foi Eduardo Wilhelmy, nascido em Stein[?] (Alemanha), que chegou a Canguçu em 1869 exercendo a função de fotógrafo e viajante e, posteriormente, ao erradicar-se em Canguçu, passou a exercer a profissão de professor. Kremer (2002, p. 25)[KREMER,  Flávio  Azambuja. Apontamentos  Históricos  e  Geográficos  de  Canguçu. Canguçu: Acandhis, 2002] transcreve trechos do artigo “Vila de Canguçu”, publicação do professor Wilhelmy no Almanaque Literário e Estatístico do RS de 1905. Wilhelmy escreveu em seu artigo que, após conhecer muitas vilas do sul do  RS,  tinha  achado  Canguçu  uma  vila  muito  animada  e  alegre,  onde  as  pessoas ganhavam  o  suficiente  para  uma  vida  cômoda  e  ainda  sobrava  algum  dinheiro excedente para distrações. O professor Wilhelmy também registrou que
nesta época todos os estancieiros de importância do município tinham casas na vila, que habitavam, senão sempre, pelo menos o maior tempo do ano.
Bento (2000, p. 158)[BENTO, Cláudio Moreira (org.). Canguçu 200 anos. 1.ed. Canguçu: ACANDHIS, 2000] afirmava que
“foi o período áureo da economia  de  Pelotas  e  Canguçu,  traduzidos  pela  construção  de  palacetes  dignos  dos maiores  centros  do  Brasil,  como  em  Canguçu  pelos  Piegas,  os  atuais  que  abrigam  a Casa da Cultura e Clube Harmonia”.
Essa fase de desenvolvimento na vila de Canguçu foi destruída pela  Revolução  Federalista  (1893-1895)  que  espalhou  terror  e  ficou famosa  pela  prática  da  degola.  Na  Revolução  Federalista, se  enfrentaram  os federalistas  (maragatos),  liderados  por  Gaspar  Silveira  Martins,  e  os  republicanos (chimangos  ou  pica-paus),  seguidores  do  positivista  Júlio  de  Castilho. Essa revolução trouxe  reflexos  negativos  para  a  economia  de  Canguçu.  Em  seu  artigo  de  1905, Wilhelmy,  ao  referir-se  as  famílias  abastadas  que  antes  tinham  residências  na  vila  de Canguçu, disse:
E  hoje[1905],  de  todas  estas  famílias,  muito  poucas  restam  morando  aqui.  Vários chefes  delas  já  se  acham  no  além  túmulo,  outras  se  mudaram  para  a República  do  Uruguai,  Pelotas,  etc.,  e  as  suas  casa  se  vão  desmoronando desde  o  tempo  da  revolução.  Outros  venderam  as  suas  propriedades  por menos  da  terça  parte  do  custo.  Faço  somente  lembrar  a  do  falecido  Horácio Piegas,  que  a  Intendência  comprou  por  doze  contos,  custando  este  palacete uns 38 contos de réis’.  
No  entanto,  Wilhelmy  não  atribuiu  a  decadência  da  vila  de  Canguçu  somente aos  efeitos  da  Revolução  Federalista,  ou seja,  ele  acreditava  que  podia  ser  uma “estagnação natural” e o desenvolvimento poderia ser retomado com ajuda de um fator externo. ‘Todos os lugares no  interior  da campanha tem um ponto culminante,  além do qual  não  passam,  desde  que  não  lhes  advenha  um  impulso  de  fora  ou  de algum  de  seus  habitantes  mais  enérgicos  e  empreendedores;  o  exemplo  nos todos  os  lugares  da  campanha,  a  não  ser  aqueles,  onde  se  desenvolve  a colonização, como São Lourenço do Sul e outros ao norte do estado’.  O  professor Wilhelmy  tinha grande  esperança  que  a  imigração  alemã,  recém-iniciada no município, pudesse ser este “impulso de fora” que iria trazer novamente o desenvolvimento  ao  município.  Todavia,  ele  temia  que esse desenvolvimento  fosse limitado pela precariedade dos transportes, o que dificultaria a venda da produção e a vila  se tornaria pouco frequentada,  a  exemplo  de  outras  que  ele  conhecia  na  época. Porém,  Wilhelmy  confiava  na  potencialidade  do  município  e  acreditava  que  o  futuro reservaria grande desenvolvimento devido ao solo fértil. Ao final de seu artigo, Wilhelmy faz uma descrição socioeconômica da vila de Canguçu em 1905.
A  vila  conta  uns  600  habitantes,  que  já  tinha,  ou  talvez  mais  há  uns  30  anos. Estabelecimentos comerciais têm entre 12 e 14, alguns bem sortidos; existem na  vila  3  médicos  licenciados,  uma  escola  de  cada  sexo,  2  ferrarias,  3 sapatarias, uma boa marcenaria, vários carpinteiros, tamancarias, 3 curtumes, que  é  um  ramo  de  indústria  de  grande  importância  para  a  vila,  um  moinho  a vapor  em  construção,  etc.,  fechando  os  ramos  industriais  três... Bicheiros. Quase  me  ia  esquecendo  de  citar  a  estação  telegráfica  e  o  Clube  Harmonia, com um bonito prédio de sua propriedade’.
As expectativas positivas de Wilhelmy, em relação ao futuro de Canguçu, logo começaram  a  se  concretizar  com  a  intensificação  de  pomeranos 
[ O próprio Wilhelmy era um “pomerano”].

 chegando  ao município, vindos do município vizinho de São Lourenço do Sul, que muito contribuiriam para o desenvolvimento da agricultura e a consequente riqueza do município”. [ SILVANA DE MATOS BANDEIRA. A dinâmica do capitalismo na produção do espaço urbano: Os impactos da atividade fumageira para o setor comercial no município de Canguçu (RS – Brasil). Dissertação  apresentada ao  Programa de  Pós-Graduação  em  Geografia, da Universidade  Federal  do  Rio  Grande, como pré-requisito para a obtenção do grau de Mestre em Geografia. Área de Concentração: Análise Urbano-Regional. Orientador: Prof. Dr. Solismar Fraga Martins. Rio Grande – RS, 2012. chrome-extension://ecnphlgnajanjnkcmbpancdjoidceilk/http://www.argo.furg.br/bdtd/0000010602.pdf ].